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Sebastião Orlando – Poder e dominação

29/10/17 - 22:48

                                                                                                                                                      

 

 

O individualismo metodológico  tem lá suas vantagens, pois os teóricos filiados a essa vertente nunca precisaram recorrer a quaisquer “necessidades objetivas” do capitalismo ou a leis imanentes da historia para explicar a defasagem entre açoes e resultados não antecipados. A partir do fragmento anterior, identificar duas grandes vertentes analíticas: a subjetivista e a objetivista.

 

A subjetivista concentra-se na relaçao entre indivíduos ou entre grupos. Em qualquer uma dessas possibilidades, é possível determinar, pelo menos em princípio, quem exerce o poder sobre quem. Assim, a característica da intencionalidade é permanente. O poder supõe dois polos: o de quem exerce o poder e o daquele sobre o qual o poder é exercido.

 

Nesse sentido, o poder é uma relação ou um conjunto de relaçoes pelas quais indivíduos ou grupos interferem na atividade de outros indivíduos ou grupos de poder. O poder a ser considerado como algo homogêneo e indivisível, de tal maneira que alguem possa tê-lo ou não, e, no caso de tê -lo, tem todo o poder possível.  Isso é incorreto por dois motivos: não há uma única forma de poder, ou seja, há inumeras relaçoes sociais em que ele pode ocorrer; e como os fundamentos do poder são inúmeros, não é correto dizer que uma única pessoa (ou um único grupo) detém, integralmente, todo o poder da sociedade.

 

Dessa forma, o poder pode ser distribuído em diferentes proporções e segundo variados critérios nas disputas por ele, em diferentes partes da sociedade. O desejo de poder seria o traço permanente das diferentes sociedades. Ele seria mais intenso em determinadas sociedades e menos intenso em outras. Porém, não se pode afirmar que estaremos nos direcionando para uma situação na qual esse desejo desaparecerá . A história mostra que ele sempre existiu e tenderia sempre a existir. 

O exercício do poder na política é particularmente refinado ou muito bem elaborado. Para ele, o poder são todos os meios passíveis de serem empregados pelos seres humanos para realizar e manter a dominação  sobre outros, sejam tais meios mais duros ou agressivos (como grandes exércitos e armamentos poderosos), sejam meios mais sutis (como a cultura, o convencimento, a estrutura jurídica).

 

Essa busca de poder ocorreria tanto com vistas ao aumento do próprio poder, quanto almejando  a outros objetivos. O poder não se exerce de um ponto central como qualquer instância do Estado, mas está disseminado em uma rede de instituições disciplinares. São as próprias pessoas, nas suas relações recíprocas (pai, professor, medico), que, a partir do “saber” fazem o poder circular. Poder e conhecimento desenvolvem práticas e discursos que, de maneira capilar, difundem-se pela sociedade, enredam e permeiam os indivíduos.

 

Nao há propriamente “poder”, mas práticas de poder, às quais geram discursos e saberes, a forma como entendemos a realidade e um produto das relações de poder; se estas fossem diferentes, o entendimento que temos da realidade também seria  diferente. “O poder” na teoria política de Arendt se baseia essencialmente na capacidade da ação dos homens para fundar algo inteiramente novo.  O poder é inerente a qualquer comunidade política e resulta da capacidade humana para agir conjuntamente, sob o consenso de todos.

 

 

ADVERTÊNCIA: Todas as informações e opiniões expressas nas colunas são de responsabilidade de seus autores.

 

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