Sete Lagoas Notícias
PUBLICIDADE
  • banner
  • DESTAQUES
  • VARIEDADES
  • CIDADES
  • POLÍTICA
  • POLÍCIA
  • SAÚDE E BEM ESTAR
  • ÚLTIMAS NOTÍCIAS
  • GERAIS

Zolpidem: os preocupantes efeitos colaterais do remédio que virou moda entre os jovens

14/10/22 - 18:45
Foto: Getty Images - O zolpidem é um fármaco da classe dos hipnóticos que deve ser usado por um curto período, no máximo, quatro semanas, por quem tem dificuldades para dormir ou manter o sono por um tempo adequado

 

 

Nas primeiras horas da madrugada, o nome de um medicamento costuma virar assunto frequente nas redes sociais.

 

"Ideia de encontro: tomar zolpidem juntos para ver quem alucina mais e apaga primeiro".

 

"Na noite passada, tomei zolpidem e picotei meu cabelo todinho."

 

"Tomei quatro comprimidos de zolpidem agora e me deu vontade de comprar uma lhama."

 

Relatos como esses, publicados num intervalo de poucas horas no Twitter, mostram como um remédio desenvolvido para tratar a insônia virou um fenômeno cultural, especialmente entre os mais jovens.

 

Lançado no início dos anos 1990, o zolpidem é um fármaco da classe dos hipnóticos (para indução do sono) que deve ser usado por um curto período — no máximo, quatro semanas — por quem tem dificuldades para dormir ou manter o sono por um tempo adequado.

 

De acordo com médicos ouvidos pela BBC News Brasil, o uso dele tem se popularizado além da conta — o que abre alas para efeitos colaterais preocupantes e quadros de dependência.

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) calcula que, entre 2011 e 2018, a venda do fármaco cresceu 560% no país.

 

Apenas em 2020, foram comercializadas 8,73 milhões de caixas desse medicamento nas farmácias brasileiras.

 

O zolpidem atua num receptor dos nossos neurônios e mexe com um químico cerebral chamado ácido gama-aminobutírico, também conhecido pela sigla Gaba.

 

"Isso, por sua vez, promove uma cascata de eventos que faz a gente ficar sedado e dormir", explica a médica Sandra Doria, do Instituto do Sono, em São Paulo.

 

"É como se nosso cérebro tivesse um interruptor e o zolpidem apertasse o off para desligá-lo", compara.

 

Quando dormimos naturalmente, esse processo acontece devagar: aos poucos, o cérebro vai relaxando e se desconectando da realidade, até entrarmos no estado de sono.

 

O zolpidem faz isso de uma maneira rápida e abrupta — o que é temporariamente bem-vindo para pessoas que não conseguem dormir de jeito nenhum.

 

Mas o uso desses comprimidos tem uma indicação bem clara e precisa.

 

"Ele pode ser útil para situações em que a pessoa está passando por um evento muito estressante, como a morte de um familiar ou a perda de emprego, e não consegue pegar no sono por causa disso", exemplifica Doria.

 

Nesses casos, o tratamento acontece por um curto período, que chega no máximo a quatro semanas.

 

Se, depois desse período, o descanso noturno continua a ser insuficiente, os médicos costumam partir para outras abordagens, que envolvem medicações diferentes, mudanças de hábitos e terapias psicológicas.

 

Uso desvirtuado

A grande questão, apontam os pesquisadores, é que o zolpidem está sendo indicado para qualquer dificuldade no sono e por um tempo prolongado demais.

 

"Apesar de a venda ser controlada e necessitar de prescrição médica, é relativamente fácil obter uma receita hoje em dia", observa a neurologista Dalva Poyares, da Associação Brasileira de Medicina do Sono.

 

"E isso nos gera muita preocupação", complementa.

 

Que fique claro: o remédio é seguro e pode beneficiar alguns pacientes. O problema acontece quando há o uso indiscriminado e por tempo prolongado.

 

A médica aponta que essa popularidade entre os jovens também está relacionada a uma indicação inadequada do zolpidem.

 

"Ele está sendo prescrito para tratar o distúrbio de ritmo, que acontece quando indivíduos, geralmente mais jovens, dormem mais tarde e apresentam dificuldades para acordar cedo e ir para a escola, a faculdade ou o trabalho", descreve.

 

"Nesse contexto, o zolpidem é visto como uma solução rápida e como uma forma de dormir mais cedo, mas ele não é indicado para esse fim", alerta.

 

Doria lembra que, quando o zolpidem foi lançado há quase três décadas, acreditava-se que ele não levaria à dependência ou à tolerância (quando a pessoa precisa de doses mais altas para obter o mesmo efeito).

 

"Hoje sabemos que não é bem assim. Vimos ao longo dos anos que o uso inadequado pode gerar dependência e tolerância, o que faz o medicamento não ser tão isento de efeitos colaterais como se previa", avalia.

 

Cerca de 5% dos indivíduos que tomam o fármaco podem sofrer com um quadro de sonambulismo e amnésia.

 

O risco desse evento adverso aumenta se a pessoa ingerir o comprimido e não deitar na cama logo depois, como recomendado pelos médicos.

 

"Nessa situação, o cérebro passa a funcionar como num sonambulismo, em que o paciente não está totalmente acordado e nem totalmente dormindo", descreve Poyares, que também é professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

 

É justamente aí que surge o risco de comportamentos imprevistos e inadequados.

 

"Tem quem faça compras, pegue o carro, se alimente, ligue para os outros, poste nas redes sociais… No dia seguinte, a pessoa não se lembra direito de ter feito essas coisas", caracteriza a médica.

 

Um dos relatos que viralizou nas redes sociais foi compartilhado por Pedro Pereira. Numa postagem, ele alega ter gastado 9 mil reais ao comprar um pacote de viagens para Buenos Aires, na Argentina, durante uma alucinação relacionada ao zolpidem.

 

Já a atriz Bia Arantes contou no Twitter que tomou o remédio e não dormiu imediatamente. No outro dia, ao acordar, ela descobriu que havia pesquisado na internet sobre "máquinas necessárias para abrir uma padaria".

 

Embora muitas dessas histórias sejam engraçadas e curiosas, não se pode ignorar os riscos envolvidos em muitos desses casos.

 

"E se a pessoa faz algum comentário inadequado no WhatsApp? Ou come algo estragado? Ou, pior, dirige um carro e coloca em risco a si e os outros?", questiona Poyares.

 

Quando há indicação de uso do zolpidem, a orientação dos especialistas é tomar o comprimido e ir direto para a cama — de preferência, com o celular bem longe para evitar eventuais compras inesperadas ou postagens comprometedoras.

 

Esse cuidado deve ser ainda maior com as versões sublinguais da medicação (colocadas debaixo da língua para dissolver). Nelas, a absorção é mais rápida e o efeito de sonolência acontece em poucos minutos.

 

Dependência e tolerância

Doria chama a atenção para a probabilidade de a dose inicial do zolpidem começar a ser insuficiente depois de algum tempo.

 

"Há também uma dependência emocional, pois alguns passam a acreditar que só conseguirão dormir se tomarem o remédio", diz.

 

Ela conta que já atendeu pacientes que precisavam ingerir três comprimidos para pegar no sono. Daí, às 3 horas da manhã, eles acordavam e consumiam mais duas unidades. Às 5h, ocorria um novo despertar, com a necessidade de repetir a dose mais uma vez.

 

Poyares revela que já lidou com colegas médicos que, pela facilidade de acesso ao zolpidem, chegaram a tomar até 30 comprimidos desses por noite.

 

"Vemos claramente um aumento nos casos de dependência a esse medicamento", atesta.

 

E esse abuso traz consequências: há o risco de problemas na memória, no raciocínio e na atenção, apontam as médicas.

 

A melhor maneira de evitar esses estragos é sempre consultar um especialista em medicina do sono se houver alguma queixa relacionada ao descanso noturno — e, se for o caso, seguir à risca a prescrição medicamentosa adequada, em que o zolpidem só é usado por um tempo curto.

 

"Existem algumas bandeiras vermelhas que indicam a dependência. A principal delas ocorre quando o sujeito toma um comprimido e, depois de um tempo, começa a acordar antes ou a sentir a necessidade de aumentar a dose", exemplifica Poyares.

 

Para esses casos, há um tratamento que ajuda a se livrar da necessidade de engolir o comprimido para dormir.

 

"Não é indicado cortar o zolpidem de uma hora para outra. Nós podemos indicar classes diferentes de fármacos que fazem essa substituição aos poucos junto com a terapia cognitivo-comportamental", propõe Doria

 

Sono que não aparece

O estudo EpiSono, liderado pelo Instituto do Sono, revelou que os brasileiros demoram, em média, 12 anos desde o início dos sintomas para procurar um tratamento contra a insônia.

 

Segundo a Associação Brasileira do Sono, esse problema afeta 73 milhões de pessoas no país.

 

Para Poyares, existe até um desafio em definir o que é esse transtorno.

 

"A insônia é caracterizada pela dificuldade de iniciar ou manter o sono e pelo despertar precoce", resume.

 

"Se isso acontece mais de três vezes na semana por pelo menos três meses e há um prejuízo durante o dia, com sonolência excessiva, dificuldade de concentração e irritação, temos um diagnóstico do distúrbio", complementa.

 

Nesse contexto, o zolpidem é apenas uma das ferramentas coadjuvantes de um processo muito mais complexo, que busca resgatar aos poucos as boas noites de descanso.

 

"O principal tratamento é a terapia cognitivo comportamental, que muitas vezes é conduzida por um psicólogo especialista em sono", diz Doria.

 

"Durante os encontros semanais entre o paciente e o terapeuta, são sugeridas mudanças de hábitos, crenças e perspectivas relacionadas ao quarto, à cama e ao dormir", descreve.

 

É claro que, durante as consultas, o especialista também vai detectar problemas individuais que estão por trás do bloqueio noturno — pode ser que a dificuldade no adormecer tenha a ver com uma ansiedade não tratada ou com hábitos prejudiciais, como o uso de celular minutos antes de ir para a cama e um quarto muito barulhento, por exemplo.

 

"Não podemos ignorar também os pacientes que necessitam de uma terapia medicamentosa", lembra Poyares.

 

"Mas ela precisa estar baseada no uso racional dos fármacos e na menor dose possível para obter o efeito desejado", finaliza a neurologista.

 

 

Por BBC News

Sete Lagoas Notícias

 

FIQUE BEM INFORMADO, SIGA O SETE LAGOAS NOTÍCIAS NAS REDES SOCIAIS:

Twitter:

https://twitter.com/7lagoasnoticias

Instagram:

https://www.instagram.com/setelagoasnoticias

Facebook:

https://www.facebook.com/setelagoasnoticias

 

 

 

 

Tweet

Comentário(s)

Deixe seu comentário
PUBLICIDADE
  • banner
  • banner

Saúde e Bem Estar

Resfriado ou bronquiolite? Veja como identificar as doenças em crianças
28/04/26 - 11:15
Resfriado ou bronquiolite? Veja como identificar as doenças em crianças
Anvisa determina retirada de substância usada em xaropes para tosse por risco de arritmia grave
27/04/26 - 17:01
Anvisa determina retirada de substância usada em xaropes para tosse por risco de arritmia grave
Hipertensão: silenciosa e hereditária, doença pede mudança de hábitos
26/04/26 - 15:38
Hipertensão: silenciosa e hereditária, doença pede mudança de hábitos
Cortisol alto ou baixo? Entenda a relação do hormônio com o estresse
24/04/26 - 13:27
Cortisol alto ou baixo? Entenda a relação do hormônio com o estresse
Infarto durante treino: saiba como reconhecer sinais de alerta e agir em situação de emergência
23/04/26 - 17:02
Infarto durante treino: saiba como reconhecer sinais de alerta e agir em situação de emergência
5 sinais de inflamação no intestino e quando buscar ajuda médica
22/04/26 - 11:01
5 sinais de inflamação no intestino e quando buscar ajuda médica
  • Resfriado ou bronquiolite? Veja como identificar as doenças em crianças
  • Anvisa determina retirada de substância usada em xaropes para tosse por risco de arritmia grave
  • Hipertensão: silenciosa e hereditária, doença pede mudança de hábitos
  • Cortisol alto ou baixo? Entenda a relação do hormônio com o estresse
  • Infarto durante treino: saiba como reconhecer sinais de alerta e agir em situação de emergência
  • 5 sinais de inflamação no intestino e quando buscar ajuda médica
  • MG entra na fase de pico de doenças respiratórias, com alta de 22% nos casos e 350 mortes em 2026
  • Bebidas açucaradas podem aumentar risco de danos cognitivos?
  • Crise de ansiedade ou infarto: como diferenciar?
  • Prefeitura amplia atendimento a mulheres e crianças e orienta acesso a serviços em Sete Lagoas
  • Anvisa proíbe canetas emagrecedoras irregulares no Brasil
  • Hipertensão: conheça seis hábitos que ajudam no controle da pressão arterial
  • Anvisa amplia uso de vacina contra bronquiolite e autoriza aplicação em maiores de 18 anos
  • Anvisa proíbe lote de Mounjaro e determina recolhimento de produtos irregulares; veja lista
  • Além do álcool: entenda condição silenciosa que pode destruir o fígado
  • Anvisa manda recolher lote de dipirona com desvio de qualidade
  • Minas Gerais tem média de três mortes diárias por doenças respiratórias em 2026
  • Casos de dengue aumentam em Minas Gerais e ultrapassam 39 mil em três semanas
  • Oftalmologistas ensinam 8 sinais de que seu bebê precisa de óculos
  • Viva bem e melhor: hábitos simples podem transformar sua saúde
PUBLICIDADE
  • banner
  • banner

Veja Também

Confira as ofertas de emprego do UAI/Sine Sete Lagoas para esta quarta-feira (29/04)
28/04/26 - 16:58
Confira as ofertas de emprego do UAI/Sine Sete Lagoas para esta quarta-feira (29/04)
Maurício Amorim ministra palestra sobre desenvolvimento pessoal e performance em Sete Lagoas
28/04/26 - 16:03
Maurício Amorim ministra palestra sobre desenvolvimento pessoal e performance em Sete Lagoas
Eleições 2026: prazo para regularizar título termina na próxima semana; veja como atualizar dados
28/04/26 - 15:23
Eleições 2026: prazo para regularizar título termina na próxima semana; veja como atualizar dados
Após repercussão, Polícia Civil esclarece operação Amálgama em Sete Lagoas
28/04/26 - 14:22
Após repercussão, Polícia Civil esclarece operação Amálgama em Sete Lagoas
Resfriado ou bronquiolite? Veja como identificar as doenças em crianças
28/04/26 - 11:15
Resfriado ou bronquiolite? Veja como identificar as doenças em crianças
Bombeiros resgatam corpo de homem encontrado na represa de Três Marias
28/04/26 - 11:08
Bombeiros resgatam corpo de homem encontrado na represa de Três Marias

EDITORIAS

  • DESTAQUES
  • CIDADES
  • POLÍTICA
  • POLÍCIA
  • ECONOMIA
  • REGIÃO
  • ÚLTIMAS NOTÍCIAS
  • ANUNCIE

COLUNAS

  • AUTONEWS
  • CONTABILIZANDO
  • SERENIDADE

LINKS ÚTEIS

  • VIA 040
  • PREFEITURA DE SETE LAGOAS
  • CÂMARA MUNICIPAL DE SETE LAGOAS
  • DETRAN-MG
  • CORPO DE BOMBEIROS
  • POLÍCIA MILITAR
  • Política de Privacidade

ESTAMOS NAS REDES

Sete Lagoas Notícias
  • quem somos
  • contato
  • anuncie

© Copyright 2026 - Sete Lagoas Notícias - Todos os direitos reservados

W Site Brasil