O Ministério da Saúde anunciou a suspensão da imunização com a vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan durante coletiva realizada nesta segunda-feira (8), em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A medida permanecerá em vigor até a conclusão das investigações sobre eventos adversos identificados após a aplicação do imunizante.
O Ministério da Saúde informou que foram registradas 42 reações severas em pessoas vacinadas. De acordo com o ministro Alexandre Padilha, entre esses casos estão três ocorrências graves, incluindo dois óbitos. Até o momento, não há comprovação de relação direta de causalidade entre as mortes e a vacina.
Segundo Padilha, cerca de 500 mil doses foram aplicadas desde janeiro deste ano em três municípios brasileiros: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os 42 episódios de reações severas foram observados durante o acompanhamento dos estudos clínicos e estão associados ao período de aplicação do imunizante.
O ministro destacou que as doses permanecerão armazenadas nas unidades de saúde, mas não poderão ser utilizadas enquanto durar a suspensão. Ele reforçou que as pessoas já vacinadas continuam protegidas e orientou que aqueles que receberam o imunizante nos últimos 21 dias realizem acompanhamento para identificar possíveis sinais adversos. Padilha também informou que o ministério promoveria ainda nesta segunda-feira reuniões com gestores estaduais e municipais, além do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).
O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, afirmou que a Anvisa cumpriu todos os procedimentos exigidos para a aprovação da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Segundo ele, o imunizante foi submetido a 16 estudos de fase 1 nos Estados Unidos, além das fases 2 e 3, com aproximadamente 11 mil participantes vacinados e monitorados quanto à ocorrência de possíveis eventos adversos. A maior parte dos voluntários foi acompanhada por um período de cinco anos.
Gatti explicou que, com a ampliação da vacinação para cerca de meio milhão de pessoas, passaram a surgir eventos considerados muito raros, que não haviam sido identificados durante os estudos clínicos e que agora exigem análise detalhada.
A vacina foi aprovada pela Anvisa no fim de novembro e pode ser aplicada em pessoas com idade entre 12 e 59 anos. Conforme informou o diretor do PNI, a Butantan-DV apresenta eficácia geral de 65% contra a dengue e de 85% na prevenção de casos graves que podem resultar em internação ou morte.
Ainda de acordo com Gatti, o cenário da dengue em 2026 registra baixa incidência em comparação aos anos anteriores. Os dados apontam redução de 92% no número de casos em relação ao mesmo período de 2024 e queda de 97% nos óbitos na mesma comparação.
O Sistema Único de Saúde (SUS) também disponibiliza a vacina Qdenga, produzida pela farmacêutica Takeda.
Da Redação
Sete Lagoas Notícias
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