O aumento de casos suspeitos de febre maculosa em Minas Gerais tem gerado alerta no estado. Durante o mês de junho, a Fundação Ezequiel Dias (Funed), laboratório de referência no diagnóstico da doença no Brasil, tem recebido uma média de mais de oito amostras suspeitas por dia. Entre os dias 1º e 19 de junho, foram encaminhadas 160 amostras para análise.
Desse total, 80% das amostras são provenientes de Minas Gerais, enquanto as demais são do Distrito Federal e de outros cinco estados: Ceará, Goiás, Pernambuco, Rio de Janeiro e Tocantins. O governo de Minas atribui esse aumento, em grande parte, à maior sensibilidade dos profissionais de saúde em relação aos sintomas e ao histórico de locais frequentados pelos pacientes.
Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), duas pessoas morreram vítimas da febre maculosa no estado entre janeiro e junho, ambas residentes na cidade de Manhuaçu, na região da Zona da Mata mineira. Além disso, foram confirmados nove casos da doença.
A febre maculosa também tem impactado diversas regiões do Brasil. Em São Paulo, por exemplo, foram registrados pelo menos 17 diagnósticos e oito mortes em 2023.
Desde novembro de 2020, a Funed é reconhecida pelo Ministério da Saúde como o Laboratório de Referência Nacional para Febre Maculosa e outras Riquetsioses. Isso significa que a fundação é responsável por fornecer suporte nas análises realizadas em todo o país, orientar sobre vigilância epidemiológica, capacitar profissionais e preparar equipes de Minas Gerais para a vigilância ambiental.
A febre maculosa é transmitida pela picada do carrapato-estrela infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii. Eles são geralmente encontrados em áreas arborizadas, como florestas e matas, e são mais comuns em certas regiões geográficas, como a América do Norte, incluindo as Montanhas Rochosas e algumas áreas do Brasil.
Os sintomas iniciais da febre maculosa podem incluir febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, calafrios e fadiga. Após alguns dias, pode ocorrer uma erupção cutânea característica, geralmente começando nas extremidades e se espalhando para o tronco. Se não for tratada precocemente, a febre maculosa pode progredir para complicações graves, afetando o sistema nervoso, coração, pulmões e outros órgãos, podendo levar à morte.
O diagnóstico da febre maculosa é baseado na história clínica, nos sintomas e em testes laboratoriais para detecção da presença da bactéria ou de anticorpos produzidos pelo organismo em resposta à infecção. O tratamento consiste no uso de antibióticos, como a doxiciclina, que é eficaz contra a Rickettsia rickettsii.
A prevenção da febre maculosa envolve medidas de proteção contra picadas de carrapatos, como evitar áreas infestadas, usar roupas adequadas (mangas longas, calças compridas) ao adentrar em áreas de risco, aplicar repelentes de insetos nas roupas e na pele, e realizar a verificação cuidadosa do corpo após exposição a áreas suspeitas. Em caso de suspeita de infecção, é importante buscar atendimento médico o mais rápido possível.
Da Redação
Sete Lagoas Notícias
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