A Campanha Nacional de Multivacinação começou com o objetivo de ampliar a cobertura vacinal e reforçar a proteção da população contra doenças imunopreveníveis, entre elas o sarampo e a influenza. A mobilização segue até 1º de setembro e terá como principal ação o Dia D nacional, marcado para 22 de agosto, em todo o país.
Entre as vacinas oferecidas estão BCG (tuberculose), tríplice viral, poliomielite inativada, rotavírus, pneumocócica 10-valente (conjugada), meningocócica C (conjugada), meningocócica ACWY (conjugada), influenza, Covid-19, febre amarela, Papilomavírus Humano (HPV), varicela, DTP e hepatites A e B.
As crianças menores de cinco anos, especialmente aquelas com menos de um ano de idade, fazem parte do grupo com maior risco de desenvolver complicações causadas pelo sarampo.
O presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Eduardo Jorge da Fonseca Lima, destaca que a pneumonia é a principal causa de morte relacionada ao sarampo entre crianças menores de um ano.
Segundo o especialista, a doença também pode provocar otite, encefalite aguda e sequelas neurológicas decorrentes de complicações, como a panencefalite esclerosante subaguda, enfermidade cerebral grave que compromete progressivamente as funções intelectuais e motoras.
O médico explica que o vírus do sarampo apresenta rápida disseminação e compromete o sistema imunológico da criança, favorecendo o desenvolvimento de outras infecções. Além da pneumonia, o vírus pode atingir o sistema nervoso central e causar encefalite.
De acordo com Lima, estudos publicados nas revistas *Science* e *Science Immunology* apontam que o vírus pode reduzir entre 11% e 73% da memória imunológica do organismo, fenômeno conhecido como "amnésia imunológica". Com a destruição das células responsáveis por armazenar essa memória, o corpo perde parte da capacidade de combater vírus e bactérias.
O especialista informa que a evolução do sarampo ocorre em quatro fases. A primeira é a incubação, que dura aproximadamente de dez a 15 dias. Em seguida vem o período catarral, com duração de dois a quatro dias, caracterizado por febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas brancas na mucosa oral, conhecidas como manchas de Koplik.
A terceira fase é a exantemática, que se estende por quatro a seis dias e é marcada pelo surgimento de manchas vermelhas, inicialmente no rosto e atrás das orelhas, que depois se espalham pelo tronco, braços e pernas. A última etapa é a convalescença, quando ocorre a descamação da pele e a recuperação do paciente.
Após o quinto dia do aparecimento das manchas, o isolamento pode ser encerrado, já que o paciente deixa de transmitir o vírus.
Nos casos em que a doença evolui com complicações, os sintomas variam conforme o quadro apresentado. Na pneumonia, considerada a principal causa de morte relacionada ao sarampo, podem ocorrer retorno da febre alta durante a convalescença, respiração acelerada, cansaço intenso e dificuldade para respirar.
Lima ressalta que um dos principais sinais de alerta é o reaparecimento da febre após o terceiro dia do surgimento das manchas vermelhas. Normalmente, a febre tende a desaparecer quando as lesões aparecem. Se ela persistir ou voltar, pode indicar complicações. Nos casos de otite, a dor de ouvido costuma ser intensa. Já na encefalite, podem surgir sonolência excessiva, apatia, irritabilidade, crises convulsivas e dor de cabeça.
O sarampo é uma doença viral transmitida por via respiratória. Os sintomas mais frequentes incluem febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, conjuntivite, coriza, mal-estar e tosse seca.
Embora não exista tratamento específico para eliminar o vírus, o atendimento é voltado ao controle dos sintomas e das complicações. O uso de antibióticos é indicado apenas quando há infecção bacteriana secundária.
A vacinação é recomendada para crianças a partir dos seis meses até adultos de 59 anos e está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) dos 645 municípios do estado de São Paulo.
A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou, nesta segunda-feira (3), o 16º caso de sarampo registrado no estado em 2026. Do total de ocorrências, 13 foram identificadas na capital, duas em São Bernardo do Campo e uma em Guarulhos. Dez dos pacientes infectados são bebês com menos de um ano de idade.
O caso mais recente é de um menino com menos de um ano, morador da cidade de São Paulo, que havia recebido apenas uma dose da vacina tríplice viral, responsável pela proteção contra sarampo, caxumba e rubéola.
O esquema vacinal recomendado pelo Ministério da Saúde prevê duas doses da vacina: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses, por meio da vacina tetraviral, que também protege contra a varicela. A pasta ainda orienta a aplicação da dose zero em bebês de seis meses a 11 meses e 29 dias residentes nos três municípios com registros da doença.
Da Redação
Com informações Folhapress
Sete Lagoas Notícias
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