As investigações sobre o que poderia ter causado a intoxicação por monoetilenoglicol nos petiscos da Bassar Pet Food, conduzida pelas policiais civil de Minas Gerais e de São Paulo, apuram se os certificados de lotes do propilenoglicol vendido pela empresa Tecnoclean sofreram algum tipo de adulteração. A suspeita é de que o produto utilizado na fabricação dos biscoitos para cães não seja apropriado para a indústria de alimentos.
Responsável pelo inquérito que é conduzido em São Paulo, o delegado titular da Delegacia de Investigações Sobre Infrações Contra o Meio Ambiente, Vilson Genestretti, afirma que a suspeita está sendo investigada desde que os donos da empresa A&D Química, responsável por vender o produto para a Tecnoclean, confirmaram que não tinham autorização e nunca venderam o propilenoglicol grau USP - que é a versão correta do produto que pode ser utilizado na indústria alimentícia.
"Eles (A&D química) confirmam venderam para a Tecnoclean, e já estamos investigando uma possível alteração do certificado que acompanha a nota fiscal, uma vez que o produto embalado na Bassar consta que o propilenogliol é de grau USP, mas ainda tenho que esperar os laudos", disse Genestretti.
Caso a suspeita se confirme, o que será provado por meio de laudos que estão produzidos pelo Instituto de Criminalística de São Paulo, além de crimes conta a ordem tributária, pela venda de produto impróprio para consumo, os responsáveis também podem ser enquadrados em outros crimes, como explica o delegado.
“O inquérito inicial foi instaurado como crime contra a ordem tributária, que é incluir mercadoria imprópria no mercado, mas esse inquérito ainda vai apontar se houve uma fraude no laudo e no certificado. Aí eu posso ter um crime de fraude e contra a saúde pública”, diz o delegado. “Dependendo da investigação podem aparecer outros delitos, e cada um vai responder por seus erros”, complementa Genestretti.
Até o momento, além das apurações nas fábricas das empresas envolvidas, a investigação já ouviu quatro representantes Bassar Pet Food, da Tecnoclean e da A&D Química. Uma quarta empresa, que teria vendido o propilenoglicol para a A&D também já foi fiscalizada e os representantes serão ouvidos pela polícia.
Nos depoimentos da Bassar, os representantes da empresa alegaram que a Tecnoclean era fornecedora há pouco tempo, e que nunca antes esse tipo de problema havia ocorrido.
“Havia uma empresa que regularmente fornecia o propilenoglicol (para a Bassar) e nunca teve problema, já era fornecedor há três. Em fevereiro, eles tiveram um problema da falta desse produto e aí entrou a compra da Tecnoclean”, disse o delegado.
A Polícia Civil de São Paulo trabalha em conjunto com a Polícia Civil mineira e o Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa). Em Minas Gerais, a investigação foi até fábrica da Tecnoclean, em Contagem, região Metropolitana de Belo Horizonte, na última quinta-feira (22).
Tanto a Bassar quanto a Tecnoclean e a A&D foram procuradas, mas ainda não houve resposta.
Entenda o caso
As mortes de cães intoxicados após consumirem petiscos deixou tutores em alerta em todo o país. Segundo o Mapa, análises preliminares identificaram o monoetilenoglicol como contaminante do propilenoglicol em lotes de produtos fabricados pela Bassar Pet Food.
O propilenoglicol é um produto de uso permitido na alimentação animal se for adquirido de empresas registradas pelo Mapa. Já o monoetilenoglicol é um composto químico altamente tóxico que pode levar à morte dos pets quando ingerido. A substância é semelhante à que contaminou a cerveja Backer e deixou 10 mortos e pelo menos 16 vítimas com lesões graves.
O produto que poderia estar contaminado foi fornecido pela empresa Tecnoclean, que por sua vez comprou da A&D Química, que também adiquiriu o propilenoglicol de uma outra empresa de São Paulo.
Em nota, o Mapa confirmou que a empresa em questão se chama Crystal Limp, não é regularizada junto a pasta. "A empresa Crystal Lymp não tem vínculo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. As investigações que estão sendo realizadas pelo Mapa são relacionadas à contaminação do propilenoglicol por monoetilenoglicol, oriundo de empresa irregular junto ao órgão competente. O Mapa informa que não é permitido o uso de produtos na alimentação animal de empresas não regularizadas no órgão competente", diz o comunicado.
Além da contaminação dos petiscos para cães, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também investiga uma suposta contaminação que poderia ter ocorrido em alimentos destinados para consumo humano.
Por O Tempo
Sete Lagoas Notícias
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