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Aedes 2.0: o que atual surto mostra sobre evolução do agente transmissor da dengue

07/03/24 - 14:16
Foto: Ilustrativa - Em meio à explosão de casos de dengue no país, os especialistas alertam que as mudanças no comportamento do mosquito são um fator que pode contribuir para o número elevado de casos observado

 

 

A capacidade de adaptação é uma das características mais importantes para que uma espécie consiga sobreviver ao tempo e às mais diferentes mudanças no ambiente. E essa qualidade o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, tem de sobra.

 

Em meio à explosão de casos de dengue no país, os especialistas alertam que as mudanças no comportamento do mosquito são um fator que pode contribuir para o número elevado de casos observado.

 

Isso porque essa capacidade é o que permite com que o Aedes seja uma das espécies invasoras mais bem sucedidas do Brasil. Mesmo com a adaptação sendo algo comum entre os animais, no caso do transmissor da dengue, essa característica chama a atenção pela eficiência.

 

Sérgio Luz, pesquisador da Fiocruz Amazônia, comenta que o mosquito tem uma capacidade imensa de se adaptar ao ambiente, o que contribui para a proliferação da espécie.

 

"Há tempos o Aedes vem se adequando ao ambiente urbano. Aos poucos, o mosquito foi acostumando e se adaptando até a regiões que antes não tinha condições favoráveis à presença da espécie", analisa Sérgio Luz.

 

A professora do departamento de epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, Maria Anice Mureb Sallum, relaciona essa característica da espécie à atuação do ser humano. "O mosquito evoluiu junto com o homem urbano. Ele foi se adaptando aos ambientes criados pelo homem de maneira muito efetiva", afirma.

 

Mosquito mutante

Entre todas as adaptações que o Aedes foi capaz de fazer ao longo do tempo, os especialistas pontuam que três merecem destaque nos últimos anos:

 

1. Reprodução em água contaminada

 

Se antes o observado era que a fêmea do Aedes colocava os ovos somente em água limpa, atualmente já há criadouros do mosquito em água contaminada com matéria orgânica e até em água salobra.

 

Maria Anice, que estuda a ação de mosquitos vetores de agentes infecciosos há mais de 45 anos, reforça a relação direta dessa adaptação com a ação do homem.

 

"Quando falamos de reprodução em água salobra não é no mar. São em barcos abandonados, que contêm um resquício de água salgada, e que acabam também acumulando água da chuva. É mais um criadouro colocado artificialmente no ambiente pelo homem que favorece a presença do mosquito", explica.

 

Sérgio também lembra que o mosquito desenvolveu uma boa capacidade de colocar seus ovos em locais inóspitos, mas que tenham potencial para se tornarem criadouros.

 

"Às vezes, o Aedes coloca ovos em locais ainda secos, por exemplo, mas que vão encher de água. E os ovos, apesar de eclodirem no ambiente úmido, são muito resistentes ao ambiente seco", detalha.

 

2. Ampliação do horário de circulação

 

Da mesma forma que o Aedes costumava preferir a água limpa para colocar os ovos, também era durante o dia que acontecia a maior circulação do mosquito – outra característica que mudou.

 

A preferência desse período se dava por ser o momento mais quente do dia e pelo gosto da espécie pela luminosidade. Porém, com o aquecimento do clima de forma geral, em decorrência das mudanças climáticas, o transmissor da dengue mudou seus hábitos.

 

"Não é mais aquele mosquito que pica só durante o dia. Ele se adaptou às diferenças climáticas e agora circula também em outros horários", observa Sérgio Luz.

A iluminação artificial dos ambientes urbanos também é um fator que contribuiu para a mudança de comportamento do mosquito. Maria Anice explica que, com essa iluminação proporcionada pelo homem, o Aedes se sente mais confortável para circular em horários que antes não eram comuns.

 

Apesar da mudança, a professora alerta que durante o dia ainda há uma chance maior de ser picado pelo mosquito. "Mesmo com as mudanças de comportamento, o pico de atividade da espécie segue sendo durante o dia, nas horas mais quentes", afirma.

 

3. Ocupação de áreas desfavoráveis à espécie

 

Assim como as mudanças climáticas contribuíram para a circulação do transmissor da dengue em diferentes horários ao longo do dia, elas são fundamentais para que ele seja capaz de ocupar locais antes considerados desfavoráveis para a espécie.

 

"Com as alterações no clima, e o aumento do período de dias mais quentes, há a presença do mosquito em áreas que antes não tinham condições ecológicas adequadas para o estabelecimento da espécie", diz Maria Anice.

 

Nesse cenário, o mosquito é levado pelo próprio homem para esses novos locais, encontra um ambiente agora favorável e tem facilidade em se reproduzir e se dispersar. Por isso tem se observado a circulação do Aedes em locais mais frios e mais altos, o que antes era incomum.

 

Sérgio Luz alerta que a circulação da espécie nessas novas regiões pode contribuir para o aumento de casos.

 

"O mosquito encontra uma população altamente vulnerável, que nunca teve dengue. É o cenário perfeito para a alta de casos: um mosquito adaptado, o vírus circulando e uma população vulnerável", analisa.

 

Como parar o Aedes?

A evolução e mudança do comportamento do mosquito também criam uma maior dificuldade no combate da espécie no país.

 

Para uma ação efetiva a médio e longo prazo, Maria Anice destaca que o planejamento por parte das autoridades é essencial.

 

"São necessárias mudanças nas políticas públicas, com a colaboração de diversos setores da sociedade. E, a longo prazo, precisaríamos começar a discutir medidas de manejo do ambiente urbano, para que esse meio deixe de ser favorável ao mosquito", afirma.

 

Em meio a epidemia de dengue que o Brasil vivencia, os especialistas afirmam que as medidas mais urgentes são de combate tanto à fase aquática do mosquito – isso é, com a eliminação dos potenciais criadouros para as larvas –, como da fase adulta, com inseticidas.

 

Mas, para surtirem efeito, eles reforçam a necessidade de a população agir em conjunto com o poder público.

 

"É necessária uma participação mais ativa da sociedade, das autoridades e investimento em métodos de controle vetorial do mosquito mais modernos", recomenda Sérgio Luz.

 

 

Por G1

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