Na última terça-feira (30), uma mulher, de 56 anos, encontrou um feto congelado há mais de um ano dentro da própria geladeira, no bairro Flávio Marques Lisboa, na região do Barreiro, em Belo Horizonte. O corpo estava enrolado em uma cinta e em diversas sacolas plásticas. (Veja matéria)
Segundo as investigações da polícia, o bebê nasceu com vida, 48 centímetros e 2,490 quilos, entre a 35ª e a 37ª semana de gestação. De acordo com o exame de necropsia do Instituto Médico-Legal, a criança, do sexo feminino, "era viável e que nasceu com vida, apresentando maturidade pulmonar."
A mãe, de 29 anos, foi presa em flagrante por ocultação de cadáver, nesta quarta-feira (1°). Agora, conforme a polícia, ela também pode responder por homicídio.
Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (2), o delegado Alexandre Fonseca, da Delegacia de Homicídios do Barreiro, detalhou o caso e inocentou a mulher que encontrou o bebê. “Ela realmente não sabia o que estava acontecendo, até pela forma que o corpo estava embalado, estava dentro de uma cinta e dois sacos pretos, o perito disse que não havia condições de saber, não tínhamos elementos que confirmasse que a senhora sabia", disse Fonseca.
A mulher relatou aos policiais que, há um ano a suspeita entregou para ela uma sacola preta dizendo se tratar de uma carne e pediu para que a mulher guardasse no freezer, já que ela não tinha geladeira.
Foi então que, na noite da última terça-feira, a vizinha resolveu limpar o congelador. E quando foi ver o que tinha dentro do embrulho se deparou com o corpo. E logo em seguida, ela acionou a polícia. Ao chegar no local, os militares confirmaram se tratar de um feto.
“Ela disse que abriu a sacola e viu um pezinho do bebê e se apavorou. Ela ligou para o pastor, que é um policial militar aposentado, e ajudou no acionamento com a polícia”, disse o delegado.
De acordo com a Polícia Civil, durante o depoimento da suspeita, ela teria dado três versões diferentes sobre a morte da filha. A primeiro foi que ela teve um aborto espontâneo. Depois, mudou a versão e afirmou ter tomado um chá abortivo. Só no terceiro interrogatório ela admitiu ter forçado o aborto. Ela é mãe de outras duas crianças.
“Ela disse que teria pesquisado na internet quem venderia o medicamento abortivo. Foi até a Praça Sete e uma mulher a teria levado para um hotel, onde ela ingeriu os remédios", contou o delegado Fonseca.
O delegado disse ainda que a mulher teria desmaiado e ao recobrar a consciência, viu que a bebê já tinha nascido e que estava morta.
Depois disso, ela pegou a placenta e a jogou no vaso sanitário. Como a bebê não cabia no objeto, ela resolveu enrolá-la na cinta e em seguida em dois sacos plásticos, retornando para casa, entregando o embrulho à vizinha, dizendo que era uma carne e que precisaria congelá-la, para não perdê-la. E que pegaria posteriormente. “Mas passou-se um ano e nesse momento, embora a vizinha tentasse devolver o embrulho, nunca aconteceu”, diz o delegado.
Ainda segundo Fonseca, o abortivo não era suficiente para matar a criança. “O abortivo só funcionária entre o terceiro e o quinto mês de gravidez”, diz. A morte se deu pelo fato de o cordão umbilical não ter sido amarrado, e que por isso se eu a morte do feto. “O laudo determina, ainda, que não existiam fraturas no feto e que possivelmente, passou por uma hipotermia, o que teria acelerado o processo de morte.”
Diante das conclusões do laudo de necropsia, ainda serão feitos outros exames, como tomografia e DNA. O companheiro dela, que vive na Bahia, disse à Polícia Civil que não sabe se a filha era dele.
A mulher foi presa em flagrante e responderá pelo crime de ocultação de cadáver e também por homicídio.
Da Redação
Sete Lagoas Notícias
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