O lipedema afeta 12,3% da população feminina brasileira e ainda é frequentemente confundido com obesidade, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento da doença. No mundo, a estimativa é de que cerca de 11% das mulheres convivam com a condição, conforme estudo publicado no Journal of Plastic Surgery and Hand Surgery.
O angiologista e cirurgião vascular Guilherme Jonas, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), explica que o lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional e progressivo de tecido adiposo, principalmente nos membros inferiores. Segundo ele, a condição acomete predominantemente mulheres e costuma surgir ou se agravar em períodos de alterações hormonais, como puberdade, gestação e menopausa.
De acordo com o especialista, o diagnóstico é clínico e leva em consideração o histórico da paciente e o exame físico realizado por um profissional. Exames complementares podem ser solicitados para descartar outras doenças e identificar condições associadas. O diagnóstico precoce contribui para reduzir a progressão dos sintomas.
A cirurgiã vascular Camila Caetano explica que, ao contrário da obesidade, em que o aumento da gordura ocorre de forma mais distribuída pelo corpo, o lipedema provoca acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nas pernas. A doença é reconhecida por sociedades médicas internacionais como uma condição distinta da obesidade.
Entre os sintomas mais comuns estão aumento do volume das pernas ou braços, dor, sensação de peso, sensibilidade ao toque, inchaço, hematomas frequentes e cansaço nas pernas. Em casos mais avançados, a mobilidade pode ser comprometida, dificultando atividades como caminhar, subir escadas e praticar exercícios.
O tratamento é individualizado e busca controlar os sintomas, melhorar a qualidade de vida e reduzir a progressão da doença. As medidas incluem prática regular de atividade física, acompanhamento nutricional, controle do peso, uso de meias de compressão quando indicado e terapias físicas. Em alguns casos, a lipoaspiração específica para lipedema pode ser indicada. Segundo os especialistas, tecnologias como Endolaser, Morpheus e bioestimuladores de colágeno também podem ser utilizadas para melhorar a qualidade da pele e o contorno corporal.
Da Redação
Com informações O Tempo
Sete Lagoas Notícias
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