Tradicionalmente presente na Páscoa, o chocolate ajuda a adoçar a celebração de adultos e crianças, tornando esse momento ainda mais especial e simbólico. Além de seu sabor marcante e da forte associação com a data, o alimento também desperta interesse da ciência, especialmente em sua versão com maior teor de cacau: o chocolate amargo.
No estudo “Dark chocolate intake and cardiovascular diseases: a Mendelian randomization study”, publicado na revista Nature, descobriram que a ingestão de chocolate amargo foi significativamente associada à redução do risco de hipertensão essencial, bem como à associação sugestiva com a redução do risco de tromboembolismo venoso.
As doenças cardiovasculares são a principal causa de incapacidade e mortalidade em todo o mundo e são os principais contribuintes para a carga global de doenças. O número total estimado de casos de doenças cardiovasculares foi de 523 milhões em 2019, conforme dados do estudo Global Burden of Disease (GBD).
Hipertensão essencial e trombose
A hipertensão essencial é caracterizada como um quadro multifatorial sem causa identificável. “Ela é uma doença cardiovascular, que é inclusive silenciosa e uma das principais causas de morte no Brasil”, explica a Dra. Deborah Beranger, endocrinologista, com pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro (SCMRJ).
A trombose, por sua vez, caracteriza-se pelo entupimento de uma veia pela formação de coágulos sanguíneos. Segundo a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, dependendo da localização onde esse bloqueio ocorre, a condição recebe diferentes nomes:
“Quando esse coágulo sanguíneo se desprende da veia, ele corre pela circulação e frequentemente impacta o pulmão, o que chamamos de embolia pulmonar, a grande complicação de uma trombose venosa profunda e uma causa importante de morte súbita”, explica.
Benefícios do chocolate amargo
A Dra. Deborah Beranger explica que as evidências científicas disponíveis indicam que os flavonoides presentes nos chocolates amargos, incluindo procianidina, catequina e epicatequina, podem melhorar a função endotelial, promover a vasodilatação e prevenir a agregação plaquetária, aumentando a liberação de óxido nítrico.
“Os flavanoides também são conhecidos por terem potentes atividades antioxidantes e anti-inflamatórias. Acredita-se que todas essas atividades dos flavanoides sejam os principais fatores que contribuem para um sistema cardiovascular saudável”, diz.
O chocolate amargo é rico em compostos bioativos que favorecem a saúde. “Já foi identificado também que os chocolates com maior concentração de cacau têm ação vasodilatadora, melhoram a função vascular e contam com atividades antiplaquetárias, prevenindo a formação de placa de gordura dentro das artérias”, explica a Dra. Aline Lamaita.
As médicas explicam que esses benefícios são alcançados com uma ingestão diária, em adultos jovens e saudáveis, de 20 g de chocolate de cacau mais alto (90%).
Limitações do chocolate amargo
No trabalho publicado na revista Nature, os cientistas obtiveram dados resumidos do estudo de associação genômica sobre a ingestão de chocolate amargo no site da Unidade de Epidemiologia Integrativa MRC (Universidade de Bristol). Os dados incluíram 64.945 participantes com ascendência europeia.
Eles analisaram os dados para determinar a relação causal entre a ingestão de chocolate amargo e os riscos, em pacientes geneticamente predispostos, de 12 doenças cardiovasculares, incluindo insuficiência cardíaca, doença coronariana, infarto do miocárdio, hipertensão e tromboembolismo venoso.
“A relação entre consumo de chocolate amargo e prevenção de doenças só foi positiva para os casos de hipertensão e tromboembolismo venoso. E, mesmo assim, não é aconselhável confiar apenas no chocolate para prevenir as doenças. É bom lembrar que o chocolate deve ser consumido sempre com moderação, pois é um alimento fonte de gordura e rico em calorias. […]”, diz a Dra. Deborah Beranger.
Cuidar da saúde como um todo é fundamental para manter o bom funcionamento do coração. “Uma boa alimentação, bons hábitos de vida e principalmente a atividade física ajudam a prevenir as duas doenças. E em alguns casos, os pacientes precisam de medicamentos”, finaliza a Dra. Aline Lamaita.
Por EdiCase
Sete Lagoas Notícias
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