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Abdômen ‘estufado’ nem sempre é gordura: veja principais causas e tratamentos

13/08/26 - 10:11
Foto: Shutterstock - Uma barriga saliente nem sempre está relacionada ao excesso de gordura. Mesmo com dieta e exercícios, outros fatores podem influenciar a aparência do abdômen
Foto: Shutterstock - Uma barriga saliente nem sempre está relacionada ao excesso de gordura. Mesmo com dieta e exercícios, outros fatores podem influenciar a aparência do abdômen

 

 

Muitas pessoas acreditam que uma barriga saliente é sempre consequência do excesso de gordura corporal. Por isso, investem em dietas restritivas, intensificam os exercícios físicos e, mesmo assim, continuam incomodadas com o aspecto do abdômen. Embora a gordura localizada seja uma causa frequente, ela está longe de ser a única explicação.

 

Segundo o cirurgião plástico Dr. Josué Montedonio, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), diferentes alterações na parede abdominal podem provocar um aspecto de “barriga estufada”, mesmo em pessoas com baixo percentual de gordura.

 

“Recebo muitos pacientes frustrados porque emagreceram, melhoraram a alimentação, fazem atividade física regularmente e ainda assim continuam com o abdômen projetado. Nesses casos, é importante entender que nem sempre o problema está relacionado ao acúmulo de gordura”, explica.

 

Diástase é uma das principais causas

Entre as alterações mais comuns, está a diástase abdominal, caracterizada pelo afastamento dos músculos retos do abdômen. A condição costuma surgir durante a gestação devido ao crescimento do útero, mas também pode ocorrer após grandes oscilações de peso ou em pessoas com predisposição.

 

“O afastamento da musculatura reduz a sustentação da parede abdominal. Mesmo pacientes magros podem apresentar um abaulamento persistente porque a musculatura perdeu parte da sua capacidade de contenção”, explica o Dr. Josué Montedonio. Além da questão estética, a diástase também pode estar associada à sensação de fraqueza abdominal, dores lombares e alterações posturais.

 

Flacidez e excesso de pele também influenciam

Outro fator que frequentemente gera confusão é a flacidez. Após emagrecimentos importantes ou gestações, a pele pode perder elasticidade e não retornar completamente ao formato anterior. “A pele funciona como uma espécie de envelope do corpo. Quando ela perde elasticidade, pode permanecer excedente, alterando o contorno abdominal mesmo quando praticamente não existe gordura na região”, afirma o médico. Em alguns pacientes, o problema está associado tanto ao excesso de pele quanto ao enfraquecimento da musculatura, exigindo uma avaliação individualizada.

 

Nem todo abdômen aumentado é indicação de cirurgia

Segundo o cirurgião plástico, uma avaliação médica é fundamental justamente porque diferentes causas exigem abordagens completamente distintas. Quando há predominância de gordura localizada, mudanças no estilo de vida continuam sendo a primeira recomendação. Em outros casos, fisioterapia especializada pode contribuir para melhorar a diástase, principalmente quando o afastamento muscular é leve.

 

Pacientes com excesso importante de pele ou diástase mais acentuada podem se beneficiar de procedimentos cirúrgicos, sempre após indicação individualizada. “Cada abdômen conta uma história diferente. O tratamento ideal depende da origem daquela alteração, e não apenas da aparência externa”, ressalta.

 

Exercícios físicos nem sempre resolvem tudo

Apesar de benéficos para a saúde, nem sempre os exercícios físicos são suficientes para resolver todas as alterações no abdômen. “O fortalecimento muscular traz inúmeros benefícios para a saúde e pode melhorar alguns casos de diástase, principalmente quando associado à fisioterapia. Mas quando existe excesso importante de pele ou um afastamento muscular significativo, apenas os exercícios podem não ser suficientes para restaurar o contorno abdominal”, ressalta o Dr. Josué Montedonio. Por isso, insistir em treinos cada vez mais intensos sem compreender a causa do problema pode gerar apenas frustração.

 

Quando procurar uma avaliação?

Segundo o Dr. Josué Montedonio, vale procurar avaliação médica quando o volume abdominal permanece mesmo após emagrecimento, quando existe excesso de pele após gestação ou perda de peso importante, ou quando há sensação constante de abdômen projetado associada a desconfortos físicos.

 

“O primeiro passo é entender a causa. Nem toda barriga saliente é gordura, nem todo paciente precisa de cirurgia. Um diagnóstico correto permite indicar o tratamento mais adequado para cada situação, sempre respeitando as características individuais de cada organismo”, conclui.

 

 

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