Autoridades de saúde da Índia colocaram cerca de 110 pessoas em quarentena após a confirmação de um novo surto do vírus Nipah no país. A medida foi adotada depois que dois profissionais da área da saúde receberam atendimento médico ao serem infectados pela doença. O vírus apresenta alta taxa de mortalidade e integra a lista da Organização Mundial da Saúde (OMS) de patógenos com potencial epidêmico.
O Nipah é capaz de provocar infecções respiratórias agudas e encefalite, condição caracterizada pelo inchaço do cérebro. A transmissão pode ocorrer entre seres humanos e também a partir de animais, especialmente morcegos e porcos. Por conta dessa característica e do risco de disseminação, o vírus é classificado como prioritário pela OMS.
Não há vacina disponível para prevenir a infecção nem tratamento específico para eliminar o vírus. A médica infectologista Rosana Richtmann, do Grupo Santa Joana, explica que a agressividade da doença está relacionada principalmente ao comprometimento do sistema nervoso central. Segundo ela, os primeiros sintomas costumam ser semelhantes aos de outras viroses, como febre, dor de cabeça e dores no corpo, mas podem evoluir em poucos dias para alterações do nível de consciência, com possíveis sequelas neurológicas e risco de morte.
De acordo com a especialista, a principal preocupação está concentrada na Índia e em países vizinhos, regiões que abrigam o principal hospedeiro do vírus, um tipo específico de morcego. Não há registros de casos no Brasil nem em outros países da América Latina, justamente porque essa espécie não está presente na região.
Transmissão
A OMS classifica o Nipah como uma doença zoonótica, ou seja, transmitida de animais para humanos. A infecção pode ocorrer por contato com porcos, morcegos frugívoros ou com alimentos contaminados. Também há possibilidade de transmissão por contato direto com pessoas infectadas, embora essa forma seja considerada menos comum.
Após entrar no organismo, o vírus compromete o sistema respiratório e o sistema nervoso central, o que explica a gravidade dos quadros mais avançados da doença.
Sintomas
Nem todas as pessoas infectadas desenvolvem sintomas. Nos casos em que há manifestação clínica, os sinais mais frequentes incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, fadiga e tontura, semelhantes aos de um quadro gripal. Em situações mais graves, surgem dificuldades respiratórias e encefalite, com sintomas como confusão mental, desorientação, sonolência e convulsões. A progressão rápida da infecção pode levar ao coma e à morte, e alguns sobreviventes apresentam sequelas neurológicas de longo prazo.
Diagnóstico
O diagnóstico do vírus Nipah é feito a partir da avaliação do histórico clínico durante a fase aguda e o período de recuperação da doença. Os principais exames utilizados são o RT-PCR em fluidos corporais e a detecção de anticorpos por meio do teste ELISA. Também podem ser empregados outros métodos, como o PCR convencional e o isolamento do vírus em cultura de células.
Alta letalidade
A taxa de mortalidade da doença pode chegar a 70%. Segundo especialistas, esse índice elevado está relacionado à ausência de medicamentos capazes de combater diretamente o vírus. O tratamento disponível é de suporte, com foco na hidratação, manutenção da pressão arterial e controle dos sintomas.
Histórico de surtos
O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto que afetou criadores de suínos na Malásia. Desde então, o país não voltou a registrar novos episódios. Em 2001, a doença foi detectada em Bangladesh, onde surtos quase anuais passaram a ser registrados.
Na Índia, o primeiro e mais grave surto ocorreu em 2018, na cidade de Calecute, quando 17 dos 18 casos confirmados evoluíram para óbito. Em 2019, um paciente infectado no distrito de Ernakulam se recuperou. Já em 2021, um menino de 12 anos morreu após contrair o vírus na vila de Chathamangalam.
Especialistas apontam que a perda de habitat natural tem aumentado a proximidade entre animais silvestres e seres humanos, favorecendo a transmissão do vírus. A OMS alerta que outras regiões também podem estar em risco, já que evidências do Nipah foram encontradas em morcegos do gênero Pteropus e em outras espécies em países como Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Tailândia.
Da Redação
Sete Lagoas Notícias
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