O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas) contestou a versão do Colégio Unifemm sobre a suspensão das atividades e afirmou que a greve não é responsável pela crise da instituição. Segundo o sindicato, os problemas salariais se acumulam desde 2022 e os professores têm a receber o equivalente a 13,8 salários, além de décimos terceiros, férias, FGTS e INSS pendentes.
O Sinpro Minas informou que os professores aceitaram encerrar a greve mediante o pagamento de três dos salários atrasados, mas que a administração não apresentou garantia concreta de pagamento. A entidade também relatou dificuldades financeiras enfrentadas pelos profissionais em razão dos atrasos.
A categoria decidiu manter a greve até que seja apresentada uma proposta concreta para regularizar os pagamentos. O sindicato também rejeitou a responsabilização dos professores pela situação financeira do colégio e afirmou que a paralisação continuará enquanto não houver garantia para a quitação da dívida.
Nota completa do Sinpro Minas
O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais — Sinpro Minas vem a público esclarecer os fatos que o comunicado divulgado pela administração do Colégio Unifemm e da Femm tratou de omitir. A instituição atribuiu, em carta aberta à comunidade, a suspensão das atividades à greve dos professores, como se a categoria fosse responsável por um problema que ela própria não criou.
Os fatos mostram o contrário: os professores e professoras do Unifemm são vítimas de uma situação de descumprimento salarial que se arrasta desde 2022, e é essa realidade que a nota da escola procura esconder.
Em 2022, diante do atraso de salários, a própria Administração propôs parcelar os valores devidos. Pagou parte do que havia prometido e deixou de pagar o restante — o que significa que a dívida com os professores vem se acumulando há quatro anos. De fevereiro a julho de 2025, não houve nenhum pagamento de salário. Em agosto, foi depositado um percentual cuja correção os professores não têm como verificar, porque não recebem holerite. De setembro a dezembro de 2025, o pagamento não passou de 20% do valor devido. Em 2026, não houve pagamento algum, com exceção dos professores admitidos neste ano, que também receberam apenas entre 20% e 30% do salário.
Contabilizando tudo isso, os professores e professoras têm a receber do Unifemm o equivalente a 13,8 salários, mais de um ano de trabalho não remunerado. A essa dívida somam-se os décimos terceiros de 2019, 2020, 2022, 2023, 2024 e 2025, as férias e o terço constitucional de 2023, 2024, 2025 e 2026, além do não recolhimento de FGTS e INSS. Diante desses números, a alegação de que o sindicato e a categoria inviabilizaram a instituição não se sustenta. Quem inviabilizou o Unifemm foi a gestão que descumpriu, ano após ano, as obrigações trabalhistas mais básicas.
É importante que a comunidade escolar saiba que a categoria não fechou a porta ao diálogo. Os professores se dispuseram a encerrar a greve mediante o pagamento de apenas três dos 13,8 salários atrasados, uma proposta que representava dar à administração uma nova chance de reorganizar a instituição. A escola, no entanto, não se comprometeu a pagar sequer um mês de salário. Não houve, portanto, recusa ao diálogo por parte dos professores, e sim ausência de qualquer garantia concreta por parte de quem administra o colégio.
As consequências desse descumprimento recaem diretamente sobre trabalhadores e trabalhadoras que dedicaram anos e até décadas de suas vidas à formação dos alunos do Unifemm. Há professores que esgotaram reservas financeiras que levaram anos para constituir. Há professores respondendo a ações de despejo por não conseguirem pagar aluguel. Há professores sob risco de prisão por dívida de pensão alimentícia, decorrente diretamente da falta de salário. Nenhuma dessas informações consta do comunicado da instituição, que prefere falar em “impasse” e em “urgência dos profissionais”, como se reivindicar o pagamento do próprio trabalho fosse uma injustiça.
O Sinpro Minas reafirma o que deveria ser óbvio: trabalho não se sustenta com gratidão nem com o reconhecimento do valor histórico de uma instituição. Trabalho se remunera. Os mesmos professores que a administração hoje tenta responsabilizar pela crise são aqueles que, sem receber, garantiram os resultados acadêmicos que a escola apresenta como conquista própria — incluindo o desempenho no Enem que colocou o Unifemm entre as referências da região. Atribuir a esses profissionais a culpa por uma crise financeira que não criaram, e da qual foram as principais vítimas, é uma inversão que a categoria não aceita.
A posição do Sinpro Minas segue a decisão da Assembleia da categoria, que é soberana: a greve será mantida até que haja regularização minimamente concreta da situação salarial dos professores e professoras do Unifemm. Não há, e não haverá, disposição da categoria para normalizar o que a própria instituição chama de “impasse” enquanto a dívida de mais de um ano de salários seguir sem qualquer garantia de pagamento.
Nossos direitos ninguém apaga.
28 de julho de 2026
Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais — Sinpro Minas
Da Redação
Sete Lagoas Notícias
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