Em leilões realizados nesta terça-feira (31), a Petrobras vendeu gás de cozinha a preços bem superiores aos praticados normalmente por suas refinarias. Em um dos lotes, distribuidoras chegaram a pagar mais do que o dobro do valor normal. A estatal leiloou volume equivalente a 11% das vendas nacionais previstas para abril, para entrega em sete locais diferentes.
O produto retirado na refinaria de Duque de Caxias (RJ) foi vendido com ágio de 117% em relação ao preço dessa refinaria, de R$ 2.596 por tonelada.
O comprador, portanto, se comprometeu a pagar esse valor mais R$ 3.030 por tonelada. O ágio mínimo para as compras nessa refinaria era de R$ 950 por tonelada. As distribuidoras estimam que o ágio máximo pago represente alta de R$ 8,29 por botijão vendido com esse lote.
A Petrobras afirma que os leilões são realizados para atender parte do mercado comercial e industrial do combustível e que não deveriam impactar o preço dos botijões. No entanto, atualmente não há diferenciação legal de preços entre os diferentes usos.
Essa diferenciação de preços existiu até 2022, quando foi extinta pelo governo Jair Bolsonaro. Antes, a Petrobras praticava um preço para o enchimento em botijões de 13 quilos, mais usados em residências, e outro, mais caro, para os demais vasilhames.
Nos leilões desta terça, os ágios variaram entre os 117% de Duque de Caxias a 47% em Betim (MG), onde o prêmio mais caro ficou em R$ 1.280 por tonelada, além dos R$ 2.725 por tonelada praticados normalmente pela refinaria local.
A oferta dos lotes adicionais de GLP (gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha) seria realizada na semana passada, mas foi suspensa à espera de definição do governo sobre medidas para reduzir o impacto da escalada do petróleo sobre o botijão de gás.
Desde o início da guerra no Irã, o GLP importado para o Brasil subiu 60%, segundo a paridade de importação calculada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis). A alta pressiona a Petrobras, responsável pela maior parte das importações.
A estatal não mexe no preço do GLP em suas refinarias desde julho de 2024. Segundo os dados da ANP, está vendendo o produto, em média, com defasagem de 45% em relação à paridade de importação.
A Acelen, dona da maior refinaria privada do Brasil, confirmou nesta quarta (1) reajuste de 15% sobre o combustível, o primeiro desde o início do conflito no Oriente Médio. A empresa é responsável por 4,7% do abastecimento nacional.
O governo anunciou que analisa a possibilidade de concessão de subsídios ao produto, o aumento de fiscalização da cadeia de abastecimento e um monitoramento mais rigoroso dos preços ao consumidor para tentar evitar repasses ao consumidor.
O preço do gás é um tema caro para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde o começo do terceiro mandato. Em 2025, ele aprovou no Congresso o programa Gás do Povo, que ampliou para 15,5 milhões o número de famílias beneficiadas com botijões de graça.
As distribuidoras de gás alertaram o governo para a necessidade de rever o preço de referência para venda de botijões pelo programa, diante do aumento de custos. Em carta ao MME (Ministério de Minas e Energia), citam o reajuste da Acelen e os leilões da Petrobras como motivos.
"A não atualização tempestiva das tabelas de preços de referência pode resultar em uma fuga massiva de revendas do programa e maior dificuldade na ampliação para os cerca de 900 municípios restantes", diz o texto, assinado pelo Sindigás (Sindicato das Empresas Distribuidoras de GLP).
Por Folhapress
Sete Lagoas Notícias
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