Em tempos de redes sociais, streaming e inteligência artificial, uma pergunta se repete nos debates sobre comunicação: o rádio ainda importa? A resposta, respaldada por dados concretos, é um retumbante sim. Uma pesquisa inédita apresentada pela Quaest nesta semana em Belo Horizonte mostra que o rádio não apenas sobreviveu à era digital, ele se consolidou como o veículo de maior credibilidade junto à população brasileira e mineira.
O levantamento, intitulado "Além do Dial, Rádio 3.0 e sua relação com Minas Gerais", foi apresentado durante o evento Rádio & Mercado em Sintonia, realizado na quinta-feira (18) em Belo Horizonte, que reuniu mais de 350 profissionais entre anunciantes, radiodifusores, publicitários e estudantes de comunicação.
Os números que falam por si
Os dados da pesquisa revelam um vínculo profundo e duradouro entre os mineiros e o rádio. Segundo o levantamento, 81% dos mineiros acreditam que o rádio é relevante nos dias de hoje, e 71% afirmam que o veículo faz companhia no dia a dia. A fidelidade da audiência é igualmente expressiva: 75% dos ouvintes de rádio em Minas Gerais têm esse hábito há mais de 20 anos, e 55% são considerados heavy users, escutando rádio de 5 a 7 dias por semana.

A diretora de Inteligência de Mercado da Quaest, responsável pela pesquisa, destacou um dos achados mais reveladores do estudo: a lealdade geracional. "Esse é um hábito que o streaming não derreteu, permanece vivo, inclusive entre os mais jovens, que foram criados escutando rádio", afirmou.
Credibilidade: o diferencial que nenhuma rede social tem
Em um cenário marcado pela desinformação e pela desconfiança nas mídias digitais, o rádio se destaca por um atributo que não se compra com algoritmo: a credibilidade. O presidente-executivo da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) foi direto ao ponto durante o evento: "O rádio hoje exerce uma função que poucas mídias exercem. O rádio é o que apresenta o maior índice de credibilidade junto à população mineira e também à população brasileira. E a credibilidade é muito associada a conteúdo e a audiência."
Ele também ressaltou o papel insubstituível do rádio no jornalismo local: "O rádio nasceu novo, com agilidade, com localismo. As pessoas querem ser globais, mas elas querem saber os problemas da sua comunidade. E ninguém entrega mais isso do que o rádio. O rádio substituiu, basicamente, os jornais nos desertos de notícias."
O rádio e a era digital: soma, não substituição
Longe de encarar a transformação digital como uma ameaça, o setor radiofônico a abraçou como oportunidade. O streaming, os aplicativos e as plataformas digitais ampliaram o alcance do rádio para além das ondas hertzianas, conectando emissoras a ouvintes em qualquer lugar do mundo. "A partir do momento em que agrega o streaming, agregamos para ele uma outra audiência que extrapola aquele limite das ondas", explicou o presidente da Associação Mineira de Rádio e Televisão (AMIRT).
Para os anunciantes, o rádio também se mantém como um investimento eficiente. "Dependendo da emissora e da potência, no rádio você consegue falar na capital e em mais 70 cidades. O rádio permite essa otimização de investimento. E hoje, com o investimento menor, a gente consegue garantir a frequência necessária para a fixação da mensagem", avaliou um publicitário presente no evento.
Mais de um século depois, o rádio segue na frequência certa
Com mais de 100 anos de história, o rádio provou ser um dos meios de comunicação mais resilientes já criados. Atravessou a televisão, a internet, as redes sociais e o streaming — e saiu de cada um desses desafios mais forte e mais adaptado. Os dados da pesquisa Quaest confirmam o que os ouvintes já sabem: ligar o rádio ainda é, para milhões de brasileiros, um gesto diário de informação, companhia e confiança.
Da Redação
Sete Lagoas Notícias
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