O setor siderúrgico brasileiro acompanha com preocupação a proposta dos Estados Unidos de ampliar a taxação sobre o ferro gusa produzido no Brasil, medida que pode afetar diretamente a competitividade da cadeia produtiva e gerar impactos econômicos em Minas Gerais. A cobrança em discussão prevê uma tarifa adicional de 25% sobre o produto brasileiro, somada a uma segunda alíquota de 12,5%, elevando a taxa total para 37,5%.
O Sindicato da Indústria do Ferro de Minas Gerais (Sindifer-MG) informou que participará presencialmente de audiências públicas nos Estados Unidos para discutir o tema. Os encontros estão previstos para 6 de julho, enquanto a definição sobre a aplicação das tarifas deverá ser anunciada em 15 do mesmo mês. Para atuar nas negociações, a entidade contratou um escritório de advocacia em território norte-americano com o objetivo de buscar exceções para o ferro gusa brasileiro.
Matéria-prima essencial para a fabricação de aço e ferro fundido, o ferro gusa ocupa posição estratégica na balança comercial brasileira. O país está entre os maiores exportadores mundiais do produto, impulsionado principalmente pelo polo guseiro mineiro, que tem os Estados Unidos como principal destino das exportações.
Nesse cenário, Sete Lagoas ocupa posição central e se destaca como principal referência nacional do setor. O município da região Central de Minas concentra 21 unidades industriais e é considerado o coração da produção de ferro gusa no país, desempenhando papel decisivo no abastecimento do mercado internacional.
Minas Gerais lidera de forma isolada a produção nacional e responde por aproximadamente 70% do volume produzido no Brasil. Atualmente, o estado possui capacidade instalada próxima de 420 mil toneladas por mês, distribuídas entre 48 usinas e 63 fornos em operação.
Segundo projeções do Sindifer-MG, caso a nova política tarifária seja implementada, os impactos poderão atingir diretamente o Produto Interno Bruto (PIB) e reduzir a competitividade internacional da indústria brasileira. A estimativa é que aproximadamente 55% das usinas nacionais possam interromper suas atividades.
A preocupação do setor também está relacionada à forte dependência do mercado norte-americano. Dados recentes indicam que o Brasil produziu 5,4 milhões de toneladas de ferro gusa em 2025, sendo Minas Gerais responsável por quase 70% desse total.
Do volume produzido no país, cerca de três quartos foram destinados ao mercado externo e mais de 80% das exportações tiveram os Estados Unidos como destino. Apenas o polo de Sete Lagoas embarcou mais de 1 milhão de toneladas no ano passado, reforçando a relevância econômica do município para o segmento.
O ritmo permaneceu elevado no início deste ano. Entre janeiro e maio de 2026, a produção nacional alcançou aproximadamente 1,6 milhão de toneladas e cerca de 80% desse volume foi exportado para compradores norte-americanos.
Além dos reflexos financeiros, o setor alerta para os efeitos sobre o mercado de trabalho. Mais de 60 mil empregos diretos e indiretos ligados à atividade em Minas Gerais podem ser impactados pela nova rodada de tarifas.
O presidente do Sindifer-MG, Fausto Varela, afirmou que os efeitos da medida ultrapassam os limites regionais e podem atingir toda a economia nacional. Segundo ele, o cenário tende a comprometer empregos, investimentos e a geração de divisas.
Paralelamente às medidas jurídicas e às negociações técnicas conduzidas nos Estados Unidos, o sindicato informou que mantém diálogo permanente com autoridades e compradores americanos na tentativa de reduzir os impactos do novo tarifaço sobre a indústria brasileira.
Da Redação
Sete Lagoas Notícias
FIQUE BEM INFORMADO, SIGA O SETE LAGOAS NOTÍCIAS NAS REDES SOCIAIS:
Twitter - X
https://twitter.com/7lagoasnoticias
Instagram:
https://www.instagram.com/setelagoasnoticias
Facebook:
https://www.facebook.com/setelagoasnoticias
Siga nosso canal no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029VaZjLzAJZg42Nou8Uh3R

