A Justiça de Timóteo, no Vale do Aço, realizou a primeira audiência do processo que envolve Gissele Oliveira, acusada de matar cinco filhos e tentar matar outro. Ela está presa desde outubro no presídio da cidade, após ter sido localizada em Portugal e extraditada no ano passado.
A audiência ocorreu nessa quarta-feira (25) e foi conduzida pela juíza Marina Souza Lopes Ventura Aricodemes. Ao longo do processo, foram arroladas mais de 20 testemunhas entre acusação e defesa. Nesta etapa, seis testemunhas de acusação foram ouvidas, além do filho da acusada que teria sido vítima de tentativa de homicídio. Entre os depoentes estavam familiares, como irmãs, sobrinha e ex-padrasto, além de uma ex-conselheira tutelar.
Devido ao número de pessoas ainda a serem ouvidas, uma nova audiência foi marcada para 8 de maio. Há previsão de que a acusada seja interrogada nessa data, embora não esteja descartada a designação de outra sessão.
A defesa, representada pelo advogado Kaster Abreu, avaliou que os depoimentos apresentados até o momento não trouxeram provas concretas e se basearam em relatos indiretos. Segundo ele, houve menções de que a acusada passou mal em velórios dos filhos e questionamentos sobre sua conduta como mãe, mas sem confirmação de que tenha cometido os crimes.
Gissele Oliveira responde por cinco homicídios com quatro qualificadoras, além de uma tentativa de homicídio. Entre as vítimas, quatro eram meninos e uma menina. Ela também foi denunciada por coação no curso do processo.
Durante a tramitação, a defesa solicitou a realização de exame para avaliar possível insanidade mental da acusada, o que foi negado pela Justiça. O pedido se baseava em alegações de comportamento dissociativo, fala desconexa, episódios persecutórios e possível histórico familiar de transtornos psiquiátricos.
Ao analisar o pedido, a magistrada considerou que não há nos autos documentos médicos ou registros clínicos que sustentem a solicitação. Segundo a decisão, os elementos apresentados pela defesa não comprovaram indícios suficientes para a instauração do incidente de insanidade mental.
O advogado informou que recorreu da decisão por meio de habeas corpus, que foi negado de forma liminar. O recurso será analisado pela 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) no início de abril. A defesa argumenta que a negativa representa restrição ao direito de ampla defesa, especialmente em processo de competência do Tribunal do Júri.
De acordo com a Polícia Civil (PC), os crimes teriam ocorrido entre 2008 e 2023. As investigações indicam que a acusada utilizava sedativos e substâncias tóxicas antes de asfixiar as vítimas. A apuração teve início após a morte do quinto filho, quando familiares relataram circunstâncias semelhantes em mortes anteriores.
Segundo a delegada Valdimara Teixeira de Paula Fernandes, da Delegacia de Homicídios de Timóteo, responsável pelo caso, os levantamentos apontam padrão na forma de execução. Entre as substâncias citadas estão Neocid e Fenobarbital.
O histórico investigativo indica que, em 2008, houve uma tentativa de envenenamento contra um dos filhos que sobreviveu. Em 2010, duas crianças morreram em intervalo de 32 dias, sem comprovação material de crime à época. Em 2019, outras duas mortes ocorreram em um período de três meses, sem registro policial. Em 2022, o marido da acusada foi hospitalizado com sintomas de intoxicação por sedativos, também sem suspeita inicial.
As investigações foram retomadas em 2023, após a última morte, quando surgiram indícios que levaram à responsabilização da acusada. Segundo a Polícia Civil (PC), foram realizadas diversas diligências e coleta de depoimentos para comprovação dos fatos.
Da Redação
Sete Lagoas Notícias
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