A manutenção da isenção da tarifa de 25% pelos Estados Unidos representa um alívio para o setor de ferro-gusa brasileiro, especialmente para Minas Gerais, principal estado produtor da commodity no país. A medida evita impactos sobre uma cadeia industrial que depende fortemente das exportações para o mercado norte-americano.
Sete Lagoas está entre os principais polos da produção nacional de ferro-gusa e concentra 21 das 48 usinas do segmento em Minas Gerais, estado responsável por cerca de 70% da produção brasileira. A cidade tem papel estratégico no setor, que também envolve municípios da região e movimenta empregos, fornecedores e arrecadação.
A dependência do mercado dos EUA é um dos principais fatores de atenção para a indústria. Cerca de três quartos da produção nacional de ferro-gusa são destinados à exportação, e mais de 80% desse volume tem como destino os Estados Unidos. No último ano, somente Sete Lagoas enviou mais de 1 milhão de toneladas da commodity para o mercado norte-americano.
Segundo projeções do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), a aplicação da tarifa poderia levar à paralisação de aproximadamente 55% das usinas brasileiras de ferro-gusa. A avaliação do setor é de que o mercado interno e outros destinos internacionais não teriam capacidade para absorver, no curto prazo, o volume que deixaria de ser exportado aos Estados Unidos.
A isenção contempla commodities minerais e metálicas e se soma a outros produtos brasileiros que já estavam fora da sobretaxa, como carne, café, laranja, suco de laranja e peças para a indústria aeronáutica. A lista atualizada de exceções também passou a incluir café solúvel sem sabor, mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e aço, frutos do mar específicos, couros, produtos de madeira selecionados, medicamentos, insumos farmacêuticos, roupas usadas, obras de arte e antiguidades.
Produtos sem isenção
Nem todos os pedidos de retirada da tarifa foram aceitos pelo governo dos Estados Unidos. Solicitações feitas por setores como máquinas agrícolas, máquinas industriais, vestuário, calçados, equipamentos elétricos, ferramentas de jardinagem, papel, açúcar orgânico e outros produtos manufaturados foram rejeitadas.
Segundo o Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR), os itens excluídos da lista de isenção podem ser adquiridos em outros mercados ou não apresentaram justificativas econômicas suficientes para uma exceção à tarifa.
A versão final da relação de produtos também alterou alguns pontos da proposta inicial. A celulose de alta pureza deixou de fazer parte da lista de isentos após manifestações relacionadas a possíveis benefícios para produtores brasileiros do insumo associados a práticas de desmatamento ilegal.
O USTR também limitou a isenção de determinados produtos químicos apenas aos usos farmacêuticos, mantendo a cobrança da tarifa quando esses itens forem destinados a outras aplicações industriais.
Da Redação
Sete Lagoas Notícias
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