Um conflito envolvendo a posse de um imóvel histórico na Rua Floriano Peixoto, número 288, no Centro de Sete Lagoas, mobilizou a Polícia Militar no último sábado (4 ). O local, onde funciona o setor administrativo do Conselho Central Santa Paulina, ligado à Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP), foi alvo de uma ocupação que gerou tensão e exigiu mediação policial.
A ocorrência de esbulho possessório foi registrada após denúncias de que diversas pessoas haviam invadido o prédio. Ao chegarem ao local, os militares constataram sinais de arrombamento na porta de entrada. O imóvel estava ocupado por um grupo diversificado, incluindo adultos, idosos, crianças, adolescentes e uma pessoa com deficiência física. Devido à presença de menores, o Conselho Tutelar também foi acionado para acompanhar a situação.
Impasse
O impasse se dá entre duas instituições. Um representante do grupo ocupante afirmou agir em nome da União Colegial de Sete Lagoas, alegando que a entidade é a verdadeira proprietária do imóvel. Para sustentar a versão, apresentou uma certidão de inteiro teor e acusou o Conselho Santa Paulina de ter ocupado o espaço e trocado as fechaduras, impedindo o acesso dos integrantes da União Colegial. O presidente da União Colegial também esteve presente e declarou ter cedido o imóvel anteriormente ao Conselho, mas negou qualquer venda ou doação, afirmando buscar reaver a posse.
Por outro lado, o Conselho Central Santa Paulina defende sua permanência no local. Em nota oficial divulgada neste domingo (5), a presidente da instituição manifestou profunda preocupação com o ocorrido, classificando a ação como invasão e relatando depredação do patrimônio, com portas estouradas e danos ao espaço. A nota esclarece que a Sociedade de São Vicente de Paulo ocupa e utiliza o imóvel de forma contínua, pública e pacífica desde 2004, após solicitação ao Poder Público.
Ainda segundo o Conselho, antes de sua entrada, o prédio encontrava-se em completo estado de abandono e deterioração, servindo inclusive como abrigo para usuários de drogas. A instituição afirma ter zelado pelo imóvel ao longo de mais de 20 anos, dando-lhe finalidade social. Atualmente, o espaço é usado para formação de membros vicentinos, reuniões e funcionamento do escritório. O Conselho também informou que há uma ação de usucapião em andamento na Justiça há cerca de quatro anos e repudiou qualquer forma de intimidação ou tentativa de tomada do imóvel por meios não legais.
Tentativa de Mediação
Durante a ocorrência, as partes foram acompanhadas por seus advogados e a Polícia Militar tentou mediar o conflito. Ficou acordado que quem deixasse o local voluntariamente não poderia retornar durante o desenrolar da situação. Alguns manifestantes que saíram relataram ter sido convidados para participar da ocupação, recebendo alimentação no local. Os ocupantes que permaneceram afirmaram que só deixarão o prédio mediante determinação judicial.
A Polícia Militar registrou fotografias da documentação apresentada e dos danos externos, ressaltando que sua atuação se limitou à preservação da ordem pública e à mediação. A definição sobre a posse ou propriedade do imóvel caberá ao Poder Judiciário.
Da Redação
Sete Lagoas Notícias
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