A disputa pelas duas vagas ao Senado em Minas Gerais tem aprofundado a fragmentação da direita no estado e dificultado a construção de uma estratégia unificada para as eleições de 2026. O cenário está diretamente condicionado à definição sobre a corrida ao governo mineiro, hoje concentrada em dois polos: o senador Cleitinho Azevedo, que avalia se entra ou não na disputa pelo Palácio Tiradentes, e o vice-governador Mateus Simões, que tem defendido publicamente a unificação do campo conservador.
Enquanto essa decisão não ocorre, a direita avança de forma descoordenada na montagem das chapas ao Senado. A ausência de um nome definido para a disputa ao governo tem empurrado partidos e lideranças para projetos paralelos, transformando a eleição ao Senado no principal espaço de acomodação política.
Simões tem afirmado que insiste em um trabalho conjunto com Cleitinho e sustenta convergência de pautas. Nos bastidores, porém, também tem feito acenos individuais. Em entrevista recente, o vice-governador afirmou que o deputado federal Domingos Sávio teria uma vaga “reservada” ao Senado em uma eventual chapa liderada por ele em 2026, sinalizando uma tentativa de acomodação prévia do PL dentro de seu projeto eleitoral.
A definição de Cleitinho, no entanto, segue em aberto. Se o senador optar por disputar o governo, tende a reorganizar o campo e reduzir o número de candidaturas ao Senado. Se decidir ficar fora, a fragmentação tende a se manter.
Corrida congestionada
Com o governo indefinido, a disputa ao Senado reúne um número elevado de pré-candidaturas no mesmo campo político. Estão colocados Marcelo Aro (PP), Euclydes Pettersen (Republicanos), Domingos Sávio (PL), Caporezzo, Eros Biondini e Vile, pelo PL, além de Superman, pelo Novo.
No PP, Marcelo Aro é tratado como um dos nomes com maior poder político em Minas. Atual secretário de Governo, ele tem forte capilaridade entre prefeitos e lideranças municipais, especialmente no interior do estado, e é considerado um dos principais articuladores da base de Simões junto às prefeituras.
No Republicanos, Euclydes Pettersen aparece como pré-candidato ao Senado, mas também passou a estudar a possibilidade de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. A avaliação ocorre após a repercussão de investigações envolvendo fraudes no INSS, nas quais o parlamentar foi citado. A informação foi publicada pelo site O Fator e confirmada pelo Estado de Minas. Pettersen nega irregularidades.
O PL concentra o maior número de nomes e, ao mesmo tempo, o maior grau de indefinição. A legenda reúne projetos distintos, o que amplia a dificuldade de construção de uma candidatura única, mesmo diante de acenos externos como o feito por Simões a Domingos Sávio.
O que dizem
O deputado federal Eros Biondini afirma que entrou cedo na disputa e destaca desempenho em pesquisas. “Eu fui um dos primeiros a colocar meu nome como pré-candidato ao Senado por Minas e em três das principais pesquisas eu liderei entre os nomes da direita. Tenho acompanhado com ética, respeito e confiança as movimentações e manifestações do partido, procurando fazer meu trabalho da melhor maneira possível.”
Já o deputado estadual Caporezzo afirma que sua pré-candidatura atende a uma missão atribuída pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. “O meu posicionamento quanto ao cenário eleitoral é o de respeito à missão que foi confiada a mim pelo presidente Jair Bolsonaro, o que me traz muita honra e imenso senso de responsabilidade. Vale lembrar que esta decisão foi chancelada pelos filhos do presidente, em inúmeras ocasiões, como é do conhecimento de todos e pelos quais tenho imensa gratidão por toda amizade e apoio.”
Ele acrescenta que só recuaria se surgisse um nome considerado mais alinhado ao bolsonarismo. “Tenho dito que se apresentarem um nome mais à direita que o meu em Minas Gerais, ou um nome cuja família Bolsonaro tenha a percepção de ser mais leal que eu, no que diz respeito aos valores de Deus, pátria, família e liberdade e à liderança de Jair Messias Bolsonaro, prontamente retiraria o meu nome. Do contrário, sigo na missão.”
Caporezzo também afirma que Bolsonaro defende duas candidaturas ao Senado em Minas. “Quero dois candidatos ao Senado por Minas Gerais. Isto foi dito a mim e aos deputados Domingos Sávio, Bruno Engler e Junio Amaral..”
Avaliação
Para o cientista político Carlos Mendanha, professor e pesquisador de comportamento eleitoral, a fragmentação é consequência direta da indefinição na disputa pelo governo. “Quando o campo político não resolve quem lidera a chapa majoritária, o Senado vira um espaço de refúgio para projetos individuais. Em Minas, isso gera uma sobreposição de candidaturas no mesmo eleitorado e aumenta o risco de dispersão de votos.”
Segundo ele, a decisão de Cleitinho é central para o desfecho do cenário. “A escolha sobre o governo é o gatilho que organiza toda a arquitetura eleitoral. Sem isso, a direita continua operando de forma fragmentada.”
Do UAI
Sete Lagoas Notícias
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