Em 30 de maio é celebrado o Dia Mundial da Esclerose Múltipla, condição neurológica crônica, inflamatória e autoimune que afeta o sistema nervoso central e pode comprometer o cérebro, a medula e os nervos ópticos dos pacientes. Apesar de ainda ser considerada de baixa prevalência no Brasil, ela tem grande impacto funcional e social, principalmente entre mulheres e adultos jovens.
Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), cerca de 40 mil brasileiros convivem atualmente com a doença. A revisão sistemática “Prevalence of multiple sclerosis in Brazil: An updated systematic review with meta-analysis”, publicada em 2025 na revista científica Clinical Neurology and Neurosurgery, estimou prevalência agrupada de 14,5 casos por 100 mil habitantes no país, com variações regionais entre 4,5 e 30,7 casos por 100 mil habitantes.
A causa exata da doença ainda não é totalmente conhecida, mas acredita-se que ela surja a partir da combinação de diferentes fatores. Entre eles, estão predisposição genética, alterações no sistema imunológico, fatores ambientais, baixos níveis de vitamina D, tabagismo, obesidade e infecções virais prévias, especialmente relacionadas a alguns vírus comuns.
Principais sinais de alerta da esclerose múltipla
De acordo com o neurologista João Dib, do Hospital Samaritano Barra, da Rede Américas, identificar os sinais precocemente e manter cuidado contínuo são medidas fundamentais para retardar a progressão da esclerose múltipla e preservar a qualidade de vida.
“A esclerose múltipla pode causar sintomas variados, como alterações visuais, dormências, fadiga intensa, alterações cognitivas e emocionais. Muitas vezes, eles surgem em surtos, alternando períodos de piora e melhora. Entre os principais sinais de alerta, estão neurite óptica, formigamentos, fraqueza muscular, desequilíbrio, dores, alterações urinárias e fadiga persistente”, explica.
Cuidados essenciais para pacientes com esclerose múltipla
Alguns cuidados são importantes para pacientes com esclerose múltipla, pois podem ajudar a controlar sintomas, reduzir impactos no dia a dia e manter a qualidade de vida. Veja os principais:
- Manter acompanhamento regular com o neurologista: o monitoramento frequente da condição permite avaliar a evolução da condição neurológica, ajustar terapias e identificar precocemente novos surtos ou lesões.
- Seguir corretamente o tratamento: a constância no uso dos medicamentos modificadores da doença é considerada uma das principais estratégias para reduzir inflamações, surtos e incapacidades futuras.
- Praticar atividades físicas supervisionadas: exercícios físicos orientados podem ajudar no controle da fadiga, no equilíbrio, na mobilidade e na qualidade de vida dos pacientes.
- Priorizar hábitos saudáveis: sono adequado, alimentação equilibrada, controle do estresse e abandono do tabagismo ajudam no bem-estar geral e podem reduzir os impactos dos sintomas.
- Cuidar da saúde mental: ansiedade e depressão são comuns em pacientes com esclerose múltipla. O suporte psicológico e o acompanhamento multidisciplinar fazem parte do tratamento.
Diagnóstico precoce pode evitar sequelas
João Dib explica que o tempo é um fator decisivo na esclerose múltipla, ressaltando que o tratamento deve ser individualizado e envolver equipe multidisciplinar, incluindo fisioterapia, enfermagem, fonoaudiologia e suporte psicológico. “O atraso no diagnóstico pode levar ao acúmulo de lesões e a incapacidades. Na esclerose múltipla, tempo é cérebro, medula e visão”, alerta.
O diagnóstico da esclerose múltipla é feito por meio da combinação de avaliação clínica, histórico médico, exame neurológico e exames complementares, já que não existe um único teste capaz de confirmar a doença. O médico avalia os sintomas apresentados, a frequência com que ocorrem e se há sinais de lesões em diferentes partes do sistema nervoso ao longo do tempo.
Por EdiCase
Sete Lagoas Notícias
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