Foto: SeteLagoasNotícias
Cyro Gonçalves
Depois de uma campanha tensa, cheia de nervos à flor da pele, esta segunda-feira, 3 de outubro, foi dia do prefeito eleito em Sete Lagoas, Leone Maciel, respirar um pouco mais tranquilo. Grato e contente pelo resultado expressivo, representado por mais de 50 mil votos, chegando a quase metade dos votos válidos locais, o novo prefeito já foca na montagem de sua equipe de transição, pensando nas demandas que o aguardam e na composição do governo que irá atuar a partir de 2017. Leone Maciel falou com exclusividade ao SeteLagoasNoticias.com.br sobre seus planos para a cidade e os desafios que terá pela frente, na entrevista a seguir:
7LN - Qual é o seu sentimento após esse expressivo resultado das eleições?
Leone – É um sentimento de que nós passamos sobre tudo, sobre todas as difamações e não foi fácil. É um sentimento de que a verdade prevalece e de que nós devemos continuar com o respeito. Um sentimento gratificante, de alma lavada, que indica que nosso trabalho foi bom, de que nosso plano de governo realmente foi aceito pelas pessoas. A nossa mensagem foi aceita. Nós ainda não nos demos conta da alegria que está dentro da gente, do compromisso de fazer o resgate da cidade de uma administração que não foi bem feita pelo atual prefeito. É um sentimento de dever cumprido, de inspiração para pedir a Deus que não permita que a gente erre.
7LN - Quais fatores considera que definiram sua vitória?
Leone - O primeiro fator preponderante foi o grupo político. Todos os partidos, todas as pessoas não procuravam saber quem era o candidato, mas sim qual a proposta de governo. E o Leone representa o nome da coligação que uniu todos esses partidos e pessoas. O Leone representa a união da diversidade na convergência para o bem de Sete Lagoas.
7LN - O que há para aproveitar da gestão anterior? Há trabalhos para continuar?
Leone – Tem coisas para continuar. Mas nós devemos rever muitas outras, mas não simplesmente com o objetivo de retaliar, mas de corrigir a rota, humanizar principalmente atos do atual governo, que obrigava participantes de um projeto como o Mexa-se a falar que o projeto era dele. Quando a sociedade se apropria do projeto, o projeto é das pessoas, da comunidade. No entanto, tenho certeza de que há algumas coisas de que não dá para aproveitar nada, tem que começar do zero. Na Saúde, por exemplo, o próprio prefeito decretou estado de calamidade, admitindo que a estrutura da saúde precisa de reorganização. Então, vamos aproveitar a parte física, as pessoas, mas o modo de fazer, a gestão e o atendimento não é o sensato, e isso será mudado. Nós devemos prestigiar a classe médica, os profissionais da Saúde de forma geral, e dar mais conforto para atender as pessoas. O local de trabalho deve ser bom, deve ser compatível com as necessidades do usuário e de quem atende esses usuários.
7LN- Diante dessas várias dificuldades da última gestão para gerir a Saúde, o que será feito diferente?
Leone – Em primeiro plano, nós temos que revitalizar o que já temos. Fazer funcionar o hospital municipal, a UPA, os postos de saúde, as equipes de Saúde da Família, equipar e humanizar, para que o povo tenha atendimento digno. Nosso plano de governo fala da volta do respeito, e respeito é atender bem as pessoas. Irei de forma simultânea, trabalhar para agilizar junto ao vice governador do estado, Antônio Andrade, para que já se reinicie de imediato as obras do hospital regional, para que já em 2017 a coisa possa acontecer.
7LN- Um problema que também aflige a população de Sete Lagoas é a deficiência de segurança pública. Quais medidas serão implantadas nessa área?
Leone- De imediato, fortalecer as ações repressivas. Porque as educativas, já passamos da fase. Nós temos que entrar com ações visando a escola agora, a educação da personalidade, visando um futuro a longo prazo. Mas o de imediato, infelizmente, é o aumento de câmeras do Olho Vivo, o treinamento e armamento da Guarda Municipal, um maior contingente de policiais nas ruas, o que vamos conseguir através do Deputado Douglas Melo, a instalação da Região Integrada de Segurança Pública, a RISP, melhorar a iluminação em locais deficientes, enfim, ver os pontos críticos onde acontecem maior incidência de crimes e colocar lá a GCM com o giroflex ligado, fazendo rondas, reforçando o policiamento ostensivo. Infelizmente chegamos ao final da cadeia da insegurança pública. Faz-se segurança pública primeiramente na escola. Depois com emprego e renda, mas imediatamente precisamos fazer a repressão, simultaneamente a esses outros processos educativos e sociais, para que possamos diminuir os índices de criminalidade.
7LN- Apesar de Sete Lagoas ter uma das maiores arrecadações do estado, seu governo será num período de crise, que alguns analistas consideram o mais grave da história do país, pois a situação da União e dos estados é alarmante. Quais serão suas estratégias para captar recursos?
Leone – A primeira coisa é saber gastar, por conta dos poucos recursos que estão disponíveis, devido à crise econômica. E isso não significa demitir pessoas, mas sim fazer uma gestão eficiente dos gastos. Obviamente, nós vamos buscar em conjunto com projetos dos governos do Estado e Federal, novas frentes de obras para que haja circulação de riquezas na cidade. E pagar funcionário em dia. Esse dinheiro que se aplica no funcionário mantém o emprego no comércio de Sete Lagoas, o que representa R$ 21 milhões por mês. A renda, a receita, propriamente, não tem como prever. O que você prevê atualmente no município é a despesa, e para essa, a tendência é só aumentar. E por mais que você faça a perspectiva através da Lei de Orçamento Anual (LOA), você sempre tem alguma receita defasada, com as remessas menores. O Estado e a União simplesmente não perguntam para o prefeito se ele vai receber 20 milhões todo mês. Tem mês que vêm 10 milhões, 15 milhões, mas raramente ultrapassa o que você prevê. Então as despesas são rigorosamente realizadas, mas as receitas não. Não é fácil.
7LN- Quais medidas serão tomadas para promover o desenvolvimento econômico e a geração de empregos na cidade?
Leone – Buscar geração de empregos é buscar novos parceiros, usar a influência do vice governador, do deputado Douglas Melo, e logicamente realizar um governo democrático, ouvindo as pessoas, enfim, buscar parceiros para produção de novas riquezas, estimular a regularização dos microempresários individuais. Agregar novas empresas é uma necessidade, mas sob algumas condições, como admitir preferencialmente aquelas que contratem quem reside em Sete Lagoas há mais de dois anos. É uma hipótese. Com isso nós vamos fazer com que o dinheiro fique em Sete Lagoas. Precisamos incentivar o pagamento do IPTU, que hoje é uma arrecadação sem critério, desordenada, sem nexo nenhum. O ISS temos que rever, a taxa de resíduos sólidos também, para que não haja incidência de bitributação. É preciso racionalizar essas cobranças. É preciso também desburocratizar os processos que induzem a construção civil. Existem processos de licenciamento parados há mais de anos, sem que se saiba os motivos. Tudo isso gera riquezas, é preciso estancar também a aprovação de novos loteamentos, porque o governo gasta severamente. É preciso saber economizar em um punhado de ações. Para o povo gastar menos é preciso instituir no setor de transportes um cartão único, para que quem anda na concessionária ande também nos permissionários, e vice-versa. Isso é economicamente correto. É preciso rever o IPCAR, que é o índice de passageiro por quilômetro rodado. Esse índice aqui em Sete Lagoas é calculado baseado em uma cidade como Belo Horizonte, que tem uma situação geográfica e topográfica completamente diferente da nossa cidade. Aqui tem menos aclives e tem mesma tarifa da capital, onde o desgaste de pneus é bem maior, porque há mais frenagens. É preciso equiparar essa relação. O consumo de diesel é menor, o IPCAR não é real. Tudo isso faz parte desse ícone chamado economia e desenvolvimento. E o desenvolvimento econômico precisa acontecer visando o desenvolvimento social.
7LN – Sete Lagoas tem um enorme potencial turístico. Esse potencial é aproveitado? Quais são os planos para essa área?
Leone – O ápice de visitar Sete Lagoas é tomar uma cerveja no restaurante do mirante, na Ilha, que já está fechada há quatro anos por causa de um problema de licitação. É um absurdo. O potencial é mal aproveitado. Tínhamos problemas com rede hoteleira, hoje nós temos uma rede hoteleira que oferece simultaneamente 1500 leitos, mas nem metade deve estar sendo ocupada. É preciso, para que haja turismo, que a cadeia econômica seja preparada, que as pessoas saibam atender o turista. A rede hoteleira precisa estar qualificada, o comércio tem que funcionar, temos que ter as ruas limpas, tem que ter sinalização turística. Os bens naturais estão todos degradados, abandonados. As lagoas têm águas poluídas, turvas. A lagoa mais bonita está em área particular. É uma aberração. Com as ruas cheias de buracos e ondulações e sem um calendário turístico em Sete Lagoas, não dá. Estamos numa posição realmente privilegiada, ligados à capital mineira em pista dupla, a 40 minutos do aeroporto internacional, somos conectados via fibra ótica. Num raio de 100 km temos um potencial de 3 milhões de clientes, mas não sabemos explorar isso. Tudo isso precisa ser repensado. Temos parques fechados, a gruta cedida ao estado. É tudo muito bonito, mas a realidade é outra hoje. É preciso mudar essa situação.
7LN – Quais são os critérios que serão usados para montagem do secretariado? Já sabe quem vai convocar para essa missão?
Leone – Tem critérios sim. Profissionais da Saúde vão me indicar três nomes para que um seja escolhido. Na Educação, da mesma forma. Nas secretarias de Desenvolvimento, Agricultura, Indústria e Comércio teremos parcerias com o Sindicomércio, com a ACI, com CDL, com quem representa os setores produtivos da cidade. Agora, eu tenho os cargos políticos que vão ser supridos por gente que forma o nosso grupo, mas vamos levar em consideração também o conhecimento técnico. Nosso grupo é qualificado para isso, tem gente com perfil técnico. Vou aproveitar também servidores públicos. Alguns cargos terão remuneração, outros serão consultivos e por isso não serão remunerados. Tem gente que vai entrar no governo e que não precisa de salário, mas quer contribuir com a melhoria da cidade.
7LN – Sempre houve dificuldades nas transições de governo em Sete Lagoas? Vai ser diferente dessa vez?
Leone- Acredito que não. Acho que será pior ainda, porque a campanha foi de acirramento, ânimos exaltados, e o resultado das eleições também conta. O desencanto dos que participaram conta. Essa transição deve ser bem agravada. Mas nós vamos na semana que vem já indicar nossa Comissão de Transição. Nós vamos colocar nessa equipe pessoas técnicas e que sabem agir politicamente. Esse agir politicamente não é transigir, mas também não é brigar. É exigir que se cumpra a lei.