Tristeza profunda, sentimento de prostração, angústia e, às vezes, uma intensa falta de interesse pela vida. Estes são alguns dos sintomas da depressão, doença que afeta mais de 300 milhões de pessoas mundo afora, segundo relatório publicado em 2017 pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
No entanto, uma máquina que aplica impulsos elétricos e magnéticos em áreas específicas do cérebro tem representado uma luz de esperança para muita gente que sofre de transtornos psiquiátricos.
Conhecido como Estimulação Magnética Transcraniana, ou EMT, o procedimento é indolor, não requer anestesia e vem provando ser uma alternativa efetiva às intervenções tradicionais, assim como aos medicamentos e seus respectivos efeitos colaterais.
Mas o que exatamente é essa técnica e qual o seu real benefício?
"O EMT é uma forma de modular o funcionamento cortical através de pulsos eletromagnéticos que estimula, ou inibem o funcionamento de áreas específicas que são tratadas conforme o diagnóstico e o quadro clínico de um paciente", esclarece a médica psiquiatra Janine Moscon.
Aprovado no Brasil em 2012, o procedimento tem sido amplamente utilizado no tratamento de transtornos do humor como a depressão unipolar e bipolar, além de alucinações auditivas na esquizofrenia.
"Nos Estados Unidos ela foi liberada em 2008, e em 2018 também foi autorizada para o tratamento de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), dor crônica e desordens neuromusculares como AVC e a fibromialgia. Embora não seja indicada em casos de depressões mistas – em que a pessoa vive a depressão e a mania ao mesmo tempo, nem em episódios de mania no transtorno bipolar", explica Moscon.
O psiquiatra Renato Ferreira Araújo destaca que as aplicações não são invasivas, mas que há casos em que alguns pacientes possam sentir um formigamento na região tratada.
"Não há nenhum tipo de sedação. O paciente senta-se numa cadeira confortável e veste uma touca na qual são feitas marcações. Depois, uma bobina é colocada no crânio no local específico que será estimulado. No geral, não se sente nenhum tipo de desconforto, porém existem casos em que há relatos de dor no local da aplicação nas primeiras sessões. Mas ela tende a melhorar ao longo do tratamento", esclarece o médico.
Segundo Araújo, a estimulação costuma ser feita diariamente, durante algumas semanas.
"As sessões podem variar muito de duração. Existem técnicas que se estendem por três minutos e outras que chegam até 30 minutos. Depender da patologia e do protocolo a ser aplicado. O número de sessões também vai depender da resposta individual de cada paciente. No tratamento da depressão, é comum fazermos 30 sessões diárias", detalha.
O psiquiatra Thiago Rodrigo Fernandes da Silva concorda e acrescenta que o prazo para a terapia depende muito da evolução de cada pessoa.
"Não existe um prazo de duração específico, já que o tratamento é personalizado e está ligado a inúmeros fatores como o tempo de doença e sua gravidade", observa o profissional.
Benefícios
Durante a depressão, os neurônios tendem a não se interligarem devidamente. Diante disso, eles ficam desregulados e incapazes de liberar neurotransmissores importantes como a dopamina, responsável pela sensação de felicidade, bem-estar e motivação. Assim, o humor é afetado e a doença se instala.
Deste modo, o EMT acaba sendo uma alternativa eficaz para pacientes que não apresentam melhora mesmo depois do uso de ferramentas como os antidepressivos, por exemplo.
"A estimulação magnética tem como principal objetivo tratar aquelas pessoas que não respondem bem a remédios. Isso porque uma das suas principais vantagens é o baixo índice de efeitos adversos e a boa tolerabilidade ao tratamento", pontua Renato Araújo.
Todavia, como é o caso da maioria dos recursos terapêuticos, não é sempre que todo paciente consegue se beneficiar da técnica.
"Pessoas com metais intracranianos, implantes auriculares, histórico de convulsões e marcapassos não devem ser submetidos a esse tratamento", aconselha Janine Moscon.
Novamente Araújo: "Pacientes com quadros depressivos muito graves, com risco de suicido ou sintomas psicóticos respondem melhor a eletroconvulsoterapia (ECT). Mas para quem que não responde a medicamentos ou que não toleram os efeitos colaterais, o EMT pode ser uma boa opção", sugere o psiquiatra.
Ele menciona ainda que contra-indicações devem ser avaliadas caso a caso.
"Algumas situações podem aumentar o risco de complicações, como acontece com pessoas com implantes metálicos intra-cerebrais e implantes cocleares. O mesmo vale para quem sofre de epilepsia", complementa.
Tratamento sem cobertura
No Brasil, a Estimulação Magnética Transcraniana ainda não é disponível por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) e só pode ser feita por meio da contratação particular. Planos de saúde também não cobrem o tratamento que pode ser bem salgado no bolso: cada sessão pode custar entre R$ 300 e R$ 600.
Esperança contra outras doenças?
Desde 2009, a EMT está sendo testada por um grupo de pesquisadores brasileiros do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Uma pesquisa publicada pelos estudiosos em 2013 mostrou que o tratamento conseguiu uma redução de 80% da fissura e de 60% do consumo de cocaína, comprovada pelas análises de urina.
Apesar do sucesso em muitos casos de transtornos psiquiátricos, especialistas não têm certeza sobre a eficácia do procedimento no combate da dependência química.
"Ainda é cedo para dizer o quanto a estimulação magnética vai avançar, se vai ser útil para outros transtornos como a dependência química e se poderá substituir medicações convencionais", observa Janine Moscon,
"Muitas pesquisas estão sendo feitas ao redor do mundo. Hoje, em geral, é uma técnica utilizada junto com medicações que podem ter suas doses reduzidas após a melhora do paciente. Mas sempre há esperança", finaliza.
Por O Tempo
Sete Lagoas Notícias
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