O avião bimotor Beechcraft, modelo King Air C90A de prefixo PT-ONJ, que caiu nas proximidades de Caratinga/MG na última sexta-feira (5), e causou a morte da cantora Marília Mendonça (leia a matéria aqui), de membros de sua equipe, além do piloto e do co-piloto, já foi pivô de uma polêmica que tomou proporções nacionais no cenário político no ano de 2011.
Na ocasião, haviam surgido diversas denúncias de corrupção no Ministério do Trabalho (MTB), que era chefiado por Carlos Lupi, atual presidente nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT).
Dentre as denúncias, estavam as de que assessores do ex-Ministro do Trabalho - com o conhecimento de Lupi - estariam envolvidos na cobranças de propinas de ONGs ligadas ao Ministério, além de haver suspeita de repasses milionários de verbas públicas de forma irregular para estas mesmas ONGs.
Na época, o vôo do ex-Ministro no mesmo avião em que Marília Mendonça morreu, foi o pivô da saída de Lupi, nomeado ministro por Lula e posteriormente mantido na pasta por Dilma Roussef, do Ministério do Trabalho.
O fato do ex-Ministro ter voado no King Air de prefixo PT-ONJ, foi noticiado na época pela Revista Veja (acesse a matéria clicando aqui), que publicou uma matéria sobre Lupi ter se utilizado do avião para suas viagens, e noticiou ainda que os vôos estariam sendo pagos por ONGs que mantinham relações com o MTB, que tinha pessoas ligadas a elas sendo investigadas em meio às várias denúncias de corrupção, e que teriam recebido repasses milionários de forma irregular.
Foto de desembarque causou mais desgastes a Lupi
No ano de 2009, em uma de suas viagens, o atual presidente do Partido Democrático Trabalhista (PDT), então Ministro do Trabalho, foi fotografado saindo da mesma aeronave em que a cantora Marília Mendonça morreu. (veja a matéria do G1 sobre o fato clicando aqui)
Mesmo após a divulgação da foto em que desembarcava do King Air em Grajaú, no Maranhão, o PDT afirmou que a matéria da revista estava equivocada e que Lupi não teria voado no King Air, mas sim em um outro avião de modelo Sêneca.
O desencontro de informações tomou maiores proporções, porque pouco tempo antes da divulgação da foto, Lupi havia prestado depoimento na Câmara dos Deputados, e negado conhecer o responsável por diversas ONGs que recebiam repasses milionários do MTB, e que estavam sendo investigadas por denúncias de envolvimento nos esquemas de corrupção no ministério.
Após diversas declarações diferentes, a crise pela qual o ex-Ministro passava se agravou, isto porque entre outras coisas, a sua versão no depoimento prestado na Câmara, acabou sendo contrariada pelo próprio diretor das ONGs, que afirmou ter voado com Lupi no King Air, e aindam, pelas suspeitas que surgiram de que esse mesmo homem ou alguém ligado a ele, seria quem teria pago pelo aluguel do avião, informações que vieram a ser rebatidas pelo PDT, partido que Lupi preside.
No decorrer dos episódios, mesmo após novo depoimento de Lupi no Senado na tentativa de se explicar, a pressão aumentou e após todo o desgaste político ter se intensificado, o presidente do PDT acabou tendo que deixar o Ministério do Trabalho do governo Dilma.
Na época em que esses fatos ocorreram, o King Air de matrícula PT-ONJ, teria sido alugado para o vôo do ex-Ministro através de outra companhia de taxi-aéreo, e não pela companhia que fretou o avião para o vôo que acabou resultando na morte de Marília Mendonça.
Da Redação
Sete Lagoas Notícias
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