Por Cyro Gonçalves
Leia a continuação da entrevista exclusiva concedida pelo prefeito Leone Maciel (PMDB) ao SeteLagoasNotícias.com.br. Ele fala de problemas e soluções para Sete Lagoas nas mais diversas áreas, como segurança pública, turismo e a política local. Na primeira parte, publicada nesse sábado (11), Leone já havia traçado um panorama da situação econômica do município (clique e relembre).
SLN - O combate à criminalidade já tomou uma dimensão diferente com a implantação da 19ª Risp em Sete Lagoas. Há mais ações previstas para o município na questão da segurança pública?
Leone Maciel – A sensação de segurança já melhorou. Ontem (09/03) eu falava sobre esse assunto, na Maçonaria, com o amigo deputado estadual Douglas Melo. Segurança se faz com educação, emprego e renda. A primeira coisa, o ingrediente, é educação. Não plantamos isso no passado e não temos condições de colher agora. E não tendo condição de colhera agora, significa que temos Polícia, temos Guarda Municipal, porque não plantamos. Então, minha preocupação como prefeito é plantar agora para que no futuro o jovem esteja colhendo a segurança pública que nós queremos, longe de Polícia. Polícia é remédio, é simplesmente sensação de segurança, não solução para a segurança. Nós temos a polícia, precisamos dela hoje, mas o que eu quero é não ter que buscar a Polícia, para que resolvamos de forma civilizada essas questões de conflito social.
SLN - Vimos o Carnaval de Belo Horizonte se tornar uma grande fonte de receita para a cidade, que estima que mais de R$ 500 milhões foram injetados na economia, muito pela mobilização do próprio povo da Capital. Sete Lagoas, com seu enorme potencial, também vai incentivar o turismo como uma atividade de fomento econômico?
Leone Maciel – Essa vocação turística foi falada e decretada por todos os ex-prefeitos mais a maioria não se preocupou em fazer turismo. O turismo começa também com educação, na escola. É como atender bem as pessoas, ser educado, civilizado, conhecer os bens do município. Mas os bens que o município tem, todos estão depreciados, em decadência. Se você vai na ilha (do Milito), ela está fechada há mais de quatro anos, um grande local turístico. Se você vai na Serra de Santa Helena, o parque está fechado e é da Seltur, que ainda não foi extinta porque tem problemas na sociedade com a Fungetur, antiga Embratur. Se você vai no CAT, pertence ao município em 70%, assim como o Recanto da Serra. Todos estão abandonados com essa sociedade nefasta chamada Fungetur. Se você vai na Gruta Rei do Mato, o estado absorveu e hoje está querendo entregar para o município porque ninguém tem dinheiro. Se você vai na lagoa Boa Vista, o restaurante do Mirante está agonizando. Nossas lagoas não têm águas limpas e cristalinas. A José Felix, no Náutico, é um bem de Sete Lagoas mas não é uma lagoa pública. A maioria das pessoas aterrou a lagoa. Então nossos atrativos turísticos, será que eles têm condições de receber turistas? Dá para reverter a situação, mas de forma lenta, devido à crise econômica. Nós não temos uma malha rodoviária boa, aliás está péssima, preciso pavimentar Sete Lagoas, porque o Saae acabou com todas as avenidas da cidade. Você faz asfalto hoje e o Saae destrói fazendo buraco, porque nao tem a rede mapeada, fica sem competência pra isso, sem fazer o tapamento como precisa. Tudo isso cai nas costas do prefeito. Mas fazer turismo é a melhor coisa que existe. É a indústria sem chaminé, é o relacionamento, é a projeção da cidade entre as demais cidades. Sete Lagoas é uma cidade bonita, gostosa, mas que está precisando de um banho de loja e no momento não temos dinheiro para fazer isso.
SLN - Existe alguma possibilidade de o município assumir a gestão da Gruta Rei do Mato, já que o Estado vem demonstrando incapacidade para isso?
Leone Maciel - Na verdade, ela já foi do município, e agora é do Estado, que está pedindo socorro. As grutas da Lapinha, Rei do Mato, do Maquiné... O Circuito das Grutas todo está pedindo socorro. Então, como já falei, tudo acontece é no município. O que está no município e não é “meu” é só uma coisa: o Hospital Regional precisa terminar e vir a funcionar, mas como regional também na despesa, não só de Sete Lagoas na hora de pagar a conta. A gruta é administrada pelo estado, mas ela é nossa.
SLN – Por falar no Hospital Regional, há alguma novidade, alguma perspectiva de finalização da obra?
Leone Maciel – De imediato, não. Nenhum dos hospitais regionais de Minas esta sendo ativado, como os de Juiz de Fora, Divinópolis, Uberlândia e Sete Lagoas, todos estão com obras paralisadas por conta da insolvência do estado. Quando se trata de empresas privadas, dizemos falência. Quando se trata de municípios, como é o caso de Sete Lagoas, o termo é estado de insolvência. Então, devido a essa insolvência, não existe perspectiva de continuarmos as obras. E é lamentável, porque o hospital está 80% pronto na parte de alvenaria. Precisa terminar 20%, o que representa mais R$ 40 milhões em investimentos. Já a manutenção deve ficar entre R$ 12 milhões e R$ 15 milhões por mês, esse é o custo desse hospital. Então, Sete Lagoas não tem condição de assumir isso. No momento ele é inviável até para o Estado, como é o caso do Hospital Regional de Belo Horizonte, aquele “monstro” de hospital lá no Barreiro, que está simplesmente aberto em 20%, devido à falta de condições.
SLN - O programa Mexa-se retomou as atividades em fevereiro, conforme o senhor havia prometido. Há novas ações previstas para expandir a atuação da Secretaria Municipal de Esportes?
Leone Maciel – Na verdade, eu direcionei o Mexa-se para a Secretaria Municipal de Esportes, mas quem banca o projeto efetivamente é a Secretaria Municipal de Saúde. Ele está agregado ao orçamento da Saúde e está sendo executado em parceria pela política do Mexa-se e pela Secretaria de Esportes. O que falávamos no passado era que esse era um grande projeto, mas que nós iriamos racionalizar e revitalizar o Mexa-se. É inadmissível um polo com cinco, dez alunos. Então vamos juntar alguns polos para que os gastos com o programa sejam racionalizados e isso nós já estamos fazendo. Tem bairros que perderam o polo, porque não tinha alunos suficientes. Mas foi preciso racionalizar as despesas e dinamizar as gestões.
SLN – Além da questão dos buracos nas ruas, que o senhor já esclareceu, quais foram as demandas de melhorias urbanas já identificadas?
Leone Maciel – Limpeza e capina. A cidade está parecendo uma fazenda. Lamento profundamente que não foi dado à Codesel o carinho necessário para que ela fizesse esse serviço. E houve tempo para fazer, para buscar a Certidão Negativa de Débito. Isso me leva a pensar numa decretação de emergência para, obviamente, utilizar a usina da Codesel para atender à população. Hoje o que mais preocupa os setelagoanos é mato e buraco. A Codesel tem um presidente que é advogado e contador para resolver os problemas e ele tem que resolver, mas eu como Prefeito posso intervir nela. Não estou querendo fazer isso, mas se não for resolvido logo, vou ser obrigado a fazer.
SLN - Como o senhor avalia o relacionamento político com a Câmara de Sete Lagoas? O início dos trabalhos vem sendo positivo?
Leone Maciel – Nós não podemos reclamar do Legislativo em Sete Lagoas, do trabalho dos vereadores. Ao contrário. No mês de janeiro era recesso parlamentar nós enviamos seis projetos do Executivo e eles foram aprovados. Eu fui vereador 20 anos e o meu relacionamento com a Câmara é o seguinte: eu não quero que nenhum vereador, mesmo que seja da minha base, se torne refém do prefeito. Ele tem o direito e o dever de contestar o prefeito sobre qualquer projeto do Executivo com o qual ele não concorde. E até hoje isso não aconteceu. Mas o presidente da Câmara e todos os vereadores têm a consciência disso. Eles me respeitam muito e eu também respeito muito a eles e a Câmara, não só porque fui vereador 20 anos, mas porque lá não existe oposição ou situação, mas sim um compromisso muito grande dos vereadores e do prefeito em colocar a locomotiva de volta nos trilhos. Ela saiu dos trilhos na administração anterior. Então nós estamos comprometidos em manter a relação saudável e de respeito que tanto lutamos na campanha.
SLN – A relação entre Executivo e Legislativo na gestão e legislaturas passadas teve impacto negativo no andamento das matérias de interesse do município?
Leone Maciel – Teve. No momento em que o Poder Legislativo votou uma lei delegada dando poderes ao prefeito anterior para fazer legislação específica, para se organizar assim, sem consultar a Câmara, significa que a Câmara abriu mão, de forma negativa, de suas prerrogativas de fiscalizar e passou ao prefeito o direito de legislar por decreto. Então, a ação foi nefasta. Assim criou-se o seguinte: o município não podia contratar ninguém que não tivesse curso superior, ou seja, restringiu as oportunidades somente. Criou-se uma sociedade de elite no governo passado, só podiam participar doutores. Não que não seja importante o estudo e conhecimento, mas só isso também não é o suficiente, precisa entender a cidade, e não tirar oportunidade de quem entende contribuir. Então gerou-se um conflito, a posteriori devido a essa autorização temerária que foi dada. Gerou-se desconfiança inconsequente, Câmara e prefeito não se entediam mais, porque o excesso de poderes outorgados não foi positivo. A conversa dos vereadores era simplesmente pedir atenção para o cumprimento das políticas públicas, e no final, a prefeitura virou as costas para todas as políticas públicas.
SLN – O que os cidadãos de Sete Lagoas podem esperar de seu governo?
Leone Maciel - Quero dizer a todas as pessoas que puderem ter acesso a essa entrevista que dias melhores virão, que podem crer que estamos trabalhando com o nosso secretariado para que as coisas se resolvam. Mesmo com essa dívida impressionante, nós temos certeza de que dias melhores virão. Vocês podem acreditar, porque eu acredito que Sete Lagoas, juntamente com o Poder Legislativo, com o secretariado, as entidades sociais sérias, todas as pessoas comprometidas, que querem o bem da cidade e que estão assessorando o prefeito de forma efetiva, vão dar a Sete Lagoas a cidade que nós queremos, com a volta do respeito e da dignidade.















