A fase inicial da pandemia foi um deserto para o setor de eventos em Minas Gerais. Eventuais lives levantaram patrocínios, mas o faturamento foi incipiente, comparado ao dos eventos presenciais. No ápice da crise, a Associação Mineira de Eventos e Entretenimento (AMEE) estimou que dezenas de milhares de postos de trabalho haviam sido perdidos.
Atualmente, que os eventos presenciais retornam com força e festas e shows cancelados desde 2020 voltam a ocorrer, a situação é o contrário, de acordo com a associação: embora sem levantamento oficial, ela estima que até 5.000 vagas não estejam preenchidas no setor por falta de mão de obra.
Os eventos são marcados por trabalhadores informais, que aceitam bicos de final de semana como garçons e recepcionistas. Após dois anos sem trabalhos na área, porém, uma multidão migrou para outros setores da forma que pôde e já não tem planos de retornar, avalia o presidente da AMEE e empresário do setor, Rodrigo Marques.
“Para um evento acontecer, muitas pessoas têm que abrir mão de final de semana, da noite, então muitas migraram para outros setores, quando estávamos naquela insegurança, e viram que podiam ter isso de volta. Só na minha empresa, preciso contratar cem pessoas, como motorista, cenógrafo e auxiliar de escritório”, diz.
Sócio-proprietário da RG Produções & Eventos, Guilherme Leonart contabiliza um déficit de 80 a cem funcionários, a maioria para ocupações de freelancer. “Antes, o freela ganhava de R$ 80 a R$ 90 por evento, agora são R$ 120, R$ 130. As pessoas querem voltar negociando e está difícil encontrar o volume de pessoas que precisamos. A maioria é universitária, na faixa dos 18 aos 25 anos”, conta.
A falta de pessoal compromete o atendimento. Responsável por parte da área de alimentação do Breve Festival, que ocorreu no Mineirão no início deste mês, o produtor Alexandre Minardi afirma que a escassez de mão de obra dificultou o trabalho na festa: “Passamos aperto. Tivemos um déficit de 20% de pessoal”. No mesmo dia do festival, as redes sociais do evento foram bombardeadas de reclamações.
Segmentos que demandam mão de obra mais técnica e tendem a operar com contratos fixos, em vez de trabalho freelancer, como empresas de som e iluminação, também se deparam com dificuldades neste momento. “Eu tinha 17 pessoas antes da pandemia e, agora, são oito. Tenho um funcionário que virou padeiro, outro que faz comida para delivery. Estamos deixando de fazer trabalho por falta de mão de obra”, diz.
A situação é parecida na empresa fornecedora de energia para eventos Power Service Brasil, Fabrício da Silva. “Antes da pandemia, era difícil encontrar profissionais, mas encontrávamos. Estamos buscando eletricistas, mecânicos e motoristas de caminhão, por exemplo, para capacitar”, detalha.
As vagas, apesar de abundantes, muitas vezes dependem de indicações no setor, segundo produtores, mas também vale ficar atento a redes sociais de produtoras de eventos, que anunciam oportunidades.
Eventos presenciais minguam mercado de lives
No início da pandemia, em 2020, oito das dez lives mais vistas no mundo eram brasileiras e, juntas, acumularam 20,7 milhões de visualizações. A explosão de lives, embora tenha ajudado o setor de eventos a segurar as pontas durante algum tempo, passou. Hoje, produtores se concentram em entregar os eventos presenciais com ingressos vendidos até antes da pandemia.
“Houve um excesso de lives. Elas foram muito importantes para o setor no começo e movimentaram a cadeia de cinegrafistas, de som e iluminação, por exemplo. Mas os patrocinadores se foram. Antes, tínhamos aquela visão de que teríamos que nos adaptar e que o ‘novo normal’ seriam os eventos híbridos, mas estamos vendo que as pessoas estão com sede de eventos presenciais”, elabora o presidente da Associação Mineira de Eventos e Entretenimento (AMEE), Rodrigo Marques.
“Nossas lives eram mais para reforçar a marca. O faturamento não se compara ao de um evento presencial. Acredito que alguns projetos serão mantidos, mas agora estamos priorizando shows que foram cancelados em 2020. Está difícil arrumar agenda e os custos como contratação de luz estão o dobro do preço”, completa o sócio da Horta Produções, Ederson Clayton, conhecido como Popó no mercado.
Por outro lado, empresas especializadas em lives ainda aproveitam o impulso da pandemia. A Z2 Comunicação, especialista em transmissões ao vivo, aumentou o faturamento em 40%, segundo o sócio Wiliam Zazá. Durante a crise sanitária, ela abocanhou mercados até então inéditos para ela, como leilões e exposições de cavalos ao vivo.
“Presencialmente, um vendedor de cavalos conseguiria atingir no máximo 200, 300 pessoas em um evento na fazenda. Agora, com um evento virtual ele alcança 30 mil. Uma marca de ração, por exemplo, escolhe anunciar em uma live assim. A internet vive de patrocínio”, conclui o empresário.
Por O Tempo
Sete Lagoas Notícias
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