Em audiência pública realizada na noite dessa quinta-feira (27), a Câmara Municipal recebeu o corpo diretivo da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) para dar esclarecimento sobre a situação financeira da instituição. No encontro, solicitado pelo presidente da Câmara, Claúdio Nacif, o Caramelo (PRB), o diretor financeiro Janio Santos, voluntário da entidade, revelou um déficit mensal de R$ 28 mil.
Os vereadores constataram que a ameaça de a instituição fechar as portas é real, diante da crise que ela atravessa. De acordo com o presidente da Apae, José Luís Tomé, os servidores estão com o 13° salário atrasado e apenas 50% dos vencimentos de fevereiro foram quitados.
De acordo com a planilha de custos apresentada na reunião, apenas três fontes garantem os R$ 134 mil arrecadados pela Apae de Sete Lagoas todos os meses, enquanto as despesas do mesmo período chegam a R$ 162 mil. Só a folha de pagamento de R$ 96 mil é superior à maior fonte de receita, que são os R$ 95 mil arrecadados por meio do convênio com o Sistema Único de Saúde (SUS). “A gente está para parar devagarzinho”, decretou o diretor financeiro.
O prefeito Leone Maciel (PMDB) participou da Audiência e reforçou que ajudará a instituição na medida do possível. Recentemente o chefe do Executivo já havia autorizado um incremento de R$ 15 mil no repasse do município para a Apae. “É obrigação primeira do Executivo e vamos fazer com que nosso orçamento suporte as dificuldades da Apae”, afirmou o prefeito.
O governo do Estado esteve representado pelo deputado estadual Douglas Melo (PMDB). O parlamentar sugeriu a criação de um consórcio entre os municípios que encaminham assistidos. “A Apae de Sete Lagoas não é só de Sete Lagoas, é da região”.
Douglas Melo também sugeriu que o Governo Federal seja convencido a dar mais autonomia para que os prefeitos possam tirar recursos da educação e repassar à entidade. O parlamentar se comprometeu também a destinar uma emenda de custeio no valor de R$ 100 mil.
Vereadores
Mais da metade dos vereadores marcaram presença e contribuíram na busca por soluções. Gilson Liboreiro (PSL) divulgou que trabalha com a possibilidade de a cantora Paula Fernandes fazer um show em Sete Lagoas com renda destinada à APAE. “Está caminhando a passos largos”. O parlamentar revelou também um anteprojeto onde o Imposto Sobre Serviços (ISS) na cidade também poderia ser repassado para a associação.
Pr. Alcides (PP) foi sucinto e disse que vai apoiar a todas as propostas apresentadas. Já Rodrigo Braga (PV) pediu que a audiência seja um marco e que não fique só no papel. "Que façamos as coisas acontecerem", disse.
Uma comissão formada por membros da APAE, Cemig, SAAE e Câmara para captar doações de profissionais liberais foi o encaminhamento de Dr. Euro (PP). “É mais fácil ir atrás e não esperar”, entende. João Evangelista (PSDB) ponderou que “o empresário está correndo de doar. O grande responsável é o poder público, tem que abrir a mão”.
Para a vereadora Gislene (PSD), o mais viável e oportuno seria “mexer nas leis. E quem vai assumir e o quê? Temos que nos organizar”, pontuou. Mais uma vez direto, Milton Martins (PSC) afirmou que a entidade “resolve o que vários órgãos não resolvem. Não deviam ter que mendigar. É preciso discutir uma solução definitiva”, cobrou. Renato Gomes (PV) e Marli de Luquinha (PSC) se colocaram à disposição.
O presidente Caramelo reuniu as propostas apresentadas e fará um documento para que possam se tornar realidade. “Temos a adequação do quadro de professores. Tentar aumentar a arrecadação vinda pelo SAAE e Cemig. Trabalhar no orçamento do município ano que vem para mais repasses e viabilizar a volta do ônibus para o transporte dos assistidos”, finalizou o vereador.
Da Redação
Com informações da CMSL
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