Um vizinho do Centro Educacional Infantil “A Fada Madrinha”, instituição de ensino privado situada no Bairro Nossa Senhora das Graças, em Sete Lagoas, flagrou cenas de maus tratos a crianças dentro da escola por meio de um vídeo e o encaminhou para o Conselho Tutelar. Diante da denúncia, os pais foram notificados pelo conselho na saída da aula, na última segunda-feira (2), conforme o relato de uma mãe.
De acordo com essa mãe, que não quis se identificar, nessa quarta-feira (4) o Conselho Tutelar promoveu uma reunião em sua sede com todos os pais de alunos da escola e exibiu a gravação para dar ciência dos fatos. A mãe relatou que o vídeo mostrava funcionários batendo nas crianças com varas, boladas na cara e puxões de orelha. “São uns monstros. Meu filho só tem 1 ano e 10 meses e está muito agressivo e nervoso”, diz a mulher.
A senhora ainda relata: “Foi muito difícil ver meu filho apanhar com muita crueldade. A pessoa mostrava tanto ódio, como que pode? Isso é o mais assustador. Os vizinhos escutaram pedidos de socorro das crianças e chamaram a polícia, mas eles não foram acudir nossas crianças. Fico triste, no mundo em que nós estamos vivendo não poder contar com a polícia”. A Polícia Militar, no entanto, informou que não houve registro de ocorrência nos últimos dias a respeito de maus tratos a crianças em qualquer escola da cidade.
O Conselho Tutelar informou que apenas os pais tiveram acesso à gravação que motivou a denúncia e que foram orientados pela Promotoria de Defesa da Criança e Adolescente a manter sigilo a respeito do caso. A Promotoria, por sua vez, disse que não há autorização do Promotor que atua no caso para prestar informações.
Escola fechada
A reportagem foi à escola na tarde desta quinta-feira (5), mas ela estava fechada. No entanto, a professora do Maternal I e II, moradora das imediações, informou que a diretora apenas havia lhe comunicado, ontem, que a instituição não funcionaria nesta semana e nem na próxima. A diretora, ainda de acordo com a professora, também havia lhe pedido que ela recebesse em sua casa duas mães que iriam com a responsável pela escola ao Conselho Tutelar, na manhã desta quinta-feira.
A professora diz ter ficado sabendo da denúncia pelos relatos de alguns pais que a procuraram. “Eu fico dentro de sala de aula o dia todo, então não vejo o que acontece lá fora. Eu escutava chorando lá fora, mas eu achava que tinham caído ou alguma coisa assim. Não tinha como eu deixar uns dentro de sala e ir lá olhar, até porque eles estavam com alguém lá”, explica.
A professora, demonstrando estar abalada, disse que tem muito carinho pelos alunos e que os trata como se fossem seus filhos. “Se eu tivesse pegado, quem denunciaria seria eu. Eu dou aula não é de agora, é de muito tempo. Eu fiquei tão chocada quanto os pais, porque são os meus alunos que aparecem, os meus pequenininhos”, desabafa.
Uma vizinha da escola, que também não quis se identificar, relatou que sempre ouvia as crianças chorando e gritando para que as tirassem de lá.
Por se tratar de uma escola particular, a Secretaria Municipal de Educação não quis se pronunciar a respeito. A Superintendência Regional de Ensino informou que não foi notificada oficialmente e que tomou conhecimento do caso a partir da visita da reportagem do SeteLagoas Notícias.com.br, que também tentou contato pelos responsáveis pela escola por telefone, mas sem sucesso.
Por Ana Amélia Maciel
Sete Lagoas Notícias















