Na expectativa pela união de esforços e da manutenção do compromisso do grupo político que alçou Leone Maciel (PMDB) à Prefeitura de Sete Lagoas, o atual vice-prefeito, Duílio de Castro (PMN), chama a atenção para o papel do cidadão para realizar as mudanças que o país precisa.
Na segunda parte da entrevista exclusiva ao SeteLagoasNotícias.com.br (clique e leia a primeira parte), ele faz uma análise do quão perverso é o sistema político vigente para os municípios e sugere como é possível mudá-lo:
7LN - Vemos no noticiário do dia a dia as mazelas que vêm acontecendo no país. Como a classe política pode recuperar sua credibilidade diante de tantas denúncias de corrupção?
DC – Primeiro tem que acreditar e ter esperança de que isso vá mudar. Mas é importante também deixar bem claro que nós vivemos uma democracia e não tem regime melhor. Não tem ditadura, não tem militarismo, não tem monarquia, não tem socialismo. Para mim a democracia é o melhor regime que existe hoje no mundo. Agora, esse presidencialismo de coalizão que o Brasil vive, com 35 partidos legalizados e mais uns 15 na forma para serem criados, principalmente, com uma única finalidade: de ter acesso aos recursos do Fundo Partidário, para vender tempo de televisão, é isso que está sendo criado, isso tem que mudar. Nós precisamos fazer várias reformas no país, na Previdência, precisa fazer reforma no Judiciário, mas tem uma reforma que é a mais importantede todas, a política. É impossível para qualquer cidadão e cidadã que eleja o presidente da república administrar um país neste sistema falido que é o regime de presidencialismo de coalizão. O que é isso? Na verdade nós temos 35 partidos legalizados, que um faz dez, um faz 15 e outro faz 20 deputados e depois o presidente tem que juntar dois terços deles para governar o país. Ele se submente a muita negociação com os partidos de base para formar esses dois terços e, automaticamente, todos que querem apoiar o governo querem também participar do governo. E para conseguir esses dois terços, dá a Petrobrás para um partido, dá a Eletrobrás para outro, dá os Correios para mais um, o Ministério das Cidades para mais outro, o da Saúde para outro, e isso é a mesma coisa que pegar o orçamento do Brasil, que hoje é em torno de R$ 2,5 trilhões, e fracionar administrativamente com vários partidos e vários interesses que não são republicanos. E é impossível que qualquer presidente consiga ter controle das ações partidárias dentro do governo sem provocar corrupção. Então, esse é um sistema falido que tem que ser mudado.
7LN - Como é possivel mudá-lo?
A primeira coisa que é preciso fazer para mudar este país é a reforma política. Mas quem já está lá não quer ceder em nada, porque acha que se mudar o sistema, e ele já está eleito, pode perder o mandato. Quem se beneficia do sistema está lá legislando e acha que pode perder se mudar. Esse sistema é muito prejudicial aos municípios, consome recursos de maneira inadequada. Dos 70% que a União arrecada, ela gasta 35% desse dinheiro só para administrar essa concentração de recursos, é dinhero jogado pelo ralo. É irracional. Só se pode mudar isso na urna, com pessoas novas e mentalidades novas.
7LN – Por que o senhor acha que é possível essa reforma acontecer?
DC - A sociedade está sedenta por essa renovação. Ela quer ter retorno dos impostos que paga. Muitas vezes ela questiona não é nem pelos impostos que paga, mas é justamente pela falta de retorno sobre o que é pago. Ela está certa de cobrar, porque ela paga muito imposto. O Brasil é um dos maiores arrecadadores de impostos do mundo e é um dos piores prestadores de serviço também. É isso que tem que ser mudado.
7LN – Além de votar, qual é o papel do cidadão para provocar essa mudança?
DC - Gostaria que a população de Sete Lagoas e região não só votasse, mas acompanhasse o trabalho dos candidatos que elege. Muitas vezes você acha que está sendo representado e o deputado está lá votando contra você. Então, deixa eu entrar no site aqui e ver o que ele está fazendo, como está votando... Isso é muito importante. O deputado é seu representante perante o Legislativo estadual. Deixa eu ver se eu gostaria que ele votasse daquela maneira... Isso é politização. Nós precisamos de um povo politizado. Até que venha uma reforma política, precisamos voltar os olhos para a regionalização. Dividir o país em regionais, para que você possa acompanhar mais de perto a atuação do seu deputado. Muitas vezes o deputado é votado em cinquenta cidades, não presta um bom serviço, e depois muda de região. Agora, se você estiver regionalizado e politizado, a população poderá acompanhar. Até que isso mude pela lei, será necessário esse acompanhamento de forma regional. Muitas vezes, na calada da noite, o deputado vota matérias contra o interesse do eleitor que colocou ele lá. Por isso é necessária a politização.
Por Cyro Gonçalves
Sete Lagoas Notícias















