Em reunião realizada na tarde dessa terça-feira (10) na Câmara Municipal de Sete Lagoas, o diretor geral do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), Cleber Amorim, esteve presente para esclarecer a falta de recursos financeiros e salários atrasados dos funcionários da entidade.
De acordo com o gestor, o HNSG emprega cerca de 830 funcionários e tem uma folha de pagamento de R$ 1.270.000,00 para assegurar o atendimento de Sete Lagoas e mais 34 municípios da região.
O diretor também citou sobre as dificuldades relativas aos repasses feitos pelo município, pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pelo Estado. “A tabela do SUS não é atualizada a mais de 15 anos e está um pouco defasada, ela não cobre o valor do procedimentos feitos pelo hospital”, alega Cleber.
Já o município, ainda de acordo com o diretor, tem feito seus pagamentos em dia, mas numa renovação de contrato feita entre 2016 e 2017 ocorreu uma diminuição de R$ 150 mil no valor repassado pela Prefeitura, “Aceitamos a continuidade porque os pagamentos estão sendo feitos em dia. A gestão anterior deixou um débito de R$ 1,3 milhão e estamos negociando com a atual este acerto,” disse.
Ainda sobre os repasses que são feitos pela Prefeitura, o diretor geral cita que mesmo com os valores insuficientes, o município tem cumprido com os pagamentos sempre nos dias 17 e 27 de cada mês.
“Todo recurso que é recebido no município, no dia 17, é do SUS. E o hospital faz o reembolso para os honorários médicos, mas isso não significa que estamos pagando os médicos antes dos funcionários, não é essa a explicação correta. Desde 2016, o hospital depende de quatro competências junto aos médicos e eles recebem 60 dias após a produção realizada, então como pagamos no dia 17. Nós estamos pagando com mais de seis meses de atraso. E mesmo assim acho considerado, porque a produção do hospital tem aumentado”, explica Cleber.
Já sobre os pagamentos feitos nos dias 27, Cleber Amorim esclarece que os valores repassados mensalmente também são insuficientes para pagar o restante dos funcionários. “Para que o Hospital possa ter um acordo junto com o Ministério do Trabalho e sindicatos, de retornar o pagamento ao quinto dia útil, será preciso matematicamente de uma competência de faturamento para manter a folha de pagamento no dia 28, em que eu receberia, pagaria o dia 28, e com os recursos restantes pagaria o salário até o 5º dia útil”, explica.
Ainda de acordo com o Diretor, a possibilidade do HNSG, mesmo tendo uma frequência de pagamentos com resultados operacionais negativos, se torna inviável porque o hospital tem um débito junto ao Estado, sem previsão de pagamento, em torno de R$ 1.5 milhão. Isso significa que "a Casa de Gestante, a Triagem Auditiva, o Pró-Hosp e a Rede Cegonha, ainda mesmo com os quadrimestres que já foram passados, existe essa divida de 2016. E estamos usando todos os artifícios com parlamentares, fazendo visitas ao estado e inclusive tentando medidas judiciais para que os valores sejam devidamente repassados. E por mais que o Estado diga que está em dia, esse é o debito, e mesmo com esse seria o suficiente para equilibrar o caixa do hospital”, analisa.
Também em relação ao Estado, o HNSG passa por uma situação mais delicada, segundo o gestor, mesmo com alguns repasses, a instituição tem cerca de R$ 1,2 milhão pendente de programas já realizados.
O diretor afirmou, ainda, que a possibilidade de fechar serviços é real, mas que a instituição está trabalhando para obter mais recursos. “Chegou o momento de a sociedade contribuir com esta provisão de gratuidade de serviços. Por isso estamos mostramos os números, promovendo a transparência para conhecimento de todos. Também estamos mostrando nossas ações de gestão. Muito se fala em má gestão, mas é impossível produzir saúde com R$ 3 milhões a menos no seu caixa. Sem cobrir o custo dos procedimentos fica difícil”, finaliza.
Votações
Na pauta do dia, dstaque para a aprovação do Anteprojeto 244/ 2017 do vereador Zé do União, que “institui o Projeto Capoeira na Escola e dá outras providências”.
Na pasta de Projetos de Lei Ordinária, Renato Gomes (PV) teve aprovado o PLO 135/2017, de sua autoria, que “denomina logradouro público - rotatória Sagarana”.
Já o PLO 157/2017, de Pr. Alcides (PP), “institui no município de Sete Lagoas a Semana de Conscientização e Prevenção Acerca do Benzenismo e dos Males Causados ao Meio Ambiente pela Emissão do Benzeno”.
“É um projeto inteligente, tanto para a área da saúde quanto para o meio ambiente. Atendemos sempre pacientes, com benzenismo”, comentou o vereador Dr. Ronaldo João (PP), sobre o projeto aprovado do colega de partido.
Do Executivo foi aprovado o PLO 229/2017. Este “estabelece a obrigatoriedade dos hospitais públicos de Sete Lagoas, pronto -socorros, unidade de saúde, ambulatórios e pronto atendimento (UPA), localizados no município, de fixar em lugar visível, a lista dos médicos plantonistas e do responsável pelo plantão”.
Durante a reunião foram apresentados, ainda, 41 requerimentos, 82 pedidos de providências e 4 moções.
Por Renato Guedes
Sete Lagoas Notícias















