Existem diversos fatores que aumentam o risco de uma pessoa desenvolver diabetes tipo 2 (DM2): obesidade, pressão alta, colesterol e triglicérides elevados, sedentarismo, hábitos alimentares inadequados, entre outros. Mas há um fator importante que não pode ser modificado: a herança familiar da doença.
“Ter um parente de primeiro grau com DM2 (pai, mãe ou irmão) aumenta em média 3 a 4 vezes o risco de desenvolver a doença em comparação com pessoas sem histórico familiar. Revisões genéticas mostram que o risco durante a vida de DM2 é em torno de 40% quando um dos pais tem diabetes e pode se aproximar de 70% quando ambos têm diabetes, bem acima do risco observado em indivíduos sem pais com a doença”, afirma André Camara de Oliveira, endocrinologista da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia — Regional São Paulo (SBEM-SP).
Mas não se trata de um destino imutável. Segundo Reine Marie Chaves Fonseca, endocrinologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), embora as pessoas que têm familiares com a doença tenham maior possibilidade de desenvolvê-la, esse risco é dividido com a chamada epigenética, isto é, modificações feitas ao longo da vida.
“Se você herda os genes para o desenvolvimento do diabetes, sem dúvida nenhuma, se você ficar obeso, acima do peso, sedentário, deixar com que isso leve a um quadro de resistência à insulina, você pode desenvolver diabetes de forma mais rápida. Ao contrário, se você tem hábitos saudáveis, consegue se exercitar, você pode prevenir ou até evitar o aparecimento do diabetes tipo 2”, explica a médica.
Medidas de prevenção
Para evitar a doença, ou pelo menos adiá-la ao máximo, mesmo com histórico familiar, não há mágica: é preciso manter hábitos saudáveis. Veja as principais medidas recomendadas pelos especialistas:
- Manter o Índice de Massa Corporal (IMC) próximo do normal (e, caso ultrapasse, buscar a perda de peso para retornar ao IMC adequado);
- Praticar pelo menos 150 minutos de exercício físico por semana, mesclando atividade aeróbica moderada com treinos de força;
- Ter uma alimentação saudável, evitando ultraprocessados, excesso de açúcar e bebidas açucaradas, e priorizando uma dieta rica em vegetais, fibras, leguminosas, oleaginosas e gorduras insaturadas;
- Não fumar;
- Controlar a pressão arterial, o colesterol e o triglicérides;
- Ter um sono de qualidade;
- Fazer rastreio regular da glicemia e da hemoglobina glicada para detecção precoce de pré-diabetes e diabetes.
Controle do peso faz muita diferença
Controlar o peso é um fator decisivo na prevenção do diabetes tipo 2, já que o sobrepeso e a obesidade são fatores frequentemente associados ao desenvolvimento da doença. A dra. Reine diz que, para quem já tem essa herança genética na família, é importante prevenir a obesidade desde cedo, o que seguramente ajudará na prevenção do diabetes.
“Se você pode subir escadas, não suba de elevador. Se você tem como andar um pouco mais de um ponto de ônibus para o outro, para poder forçar a caminhada a mais durante o dia, [faça]. Isso tudo são hábitos de vida que vão fazer com que você faça mais atividade física, gaste mais calorias e dessa forma consiga evitar a obesidade.”
Quais os níveis normais de açúcar no sangue?
Existem alguns exames para mensurar o índice de açúcar no sangue. O mais comum é a glicemia de jejum, que deve estar abaixo de 100 mg/dL. Outro exame importante é a hemoglobina glicada, que faz uma média das glicemias durante os três últimos meses. O normal é que ela esteja abaixo de 5,7%. Entre 5,7% e 6,4%, a pessoa é considerada pré-diabética. Se o valor for igual ou maior que 6,5%, ela é considerada diabética.
“Se você está com a hemoglobina glicada tangenciando 5,7%, é importantíssimo modificar aqueles hábitos de vida que você provavelmente não está tendo de forma saudável. Busque uma alimentação [saudável] e o aconselhamento de um profissional de saúde”, orienta a endocrinologista.
Ela diz que hoje recomenda-se a realização da glicemia capilar (teste rápido feito com uma gota de sangue na ponta do dedo) sempre que possível a partir dos 35 anos. Além disso, também a partir dessa idade, é importante realizar exames laboratoriais anualmente.
Mesmo com hábitos saudáveis, posso ter diabetes?
“A genética aumenta o risco de DM2, mas não necessariamente isto acontecerá. Estudos mostram que história familiar e excesso de peso juntos empurram o risco para 50% a 60%, enquanto indivíduos com histórico familiar, mas peso adequado, boa alimentação e alta atividade física têm risco substancialmente menor”, destaca o dr. André.
Ele destaca ainda que estudos como o Diabetes Prevention Program Outcomes Study mostram que intervenções intensivas de estilo de vida reduzem a incidência da doença, inclusive em pessoas com forte história familiar. “Em termos práticos: a genética ‘carrega a arma’, mas são o ambiente e o comportamento que em grande parte ‘puxam o gatilho’.”
Por Portal Drauzio Varella
Sete Lagoas Notícias
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