Foto: EBC - Consumidor continua sem sentir efeitos das quedas de preços anunciadas pelo governo
Juliana Gontijo, O Tempo
Embora a Petrobras tenha anunciado duas reduções nos preços da gasolina e do diesel nas refinarias em menos de um mês, o consumidor continua sem ver os efeitos no preço que paga na hora de encher o tanque. Pesquisa do site Mercado Mineiro, divulgada nessa segunda-feira (14), mostra que o preço médio da gasolina comum caiu apenas 0,19%, bem abaixo da última redução feita pela estatal, de 3,1% nas refinarias. Se o repasse às bombas fosse integral, seria de 1,3%, cerca de R$ 0,05 por litro, conforme a Petrobras. O diesel se manteve estável.
Para o diretor executivo do site, Feliciano Abreu, o resultado da pesquisa, que consultou 132 postos em Belo Horizonte e região metropolitana, é decepcionante. “Foram dois cortes consecutivos feitos pela Petrobras que ainda não chegaram para o consumidor”, reclama.
“É possível que, no próximo levantamento, possamos ter uma queda mais acentuada. O fato é que quando é para aumentar, a elevação no preço é rápida. Só que o mesmo não acontece quando é para baixar”, analisa.
O preço médio da gasolina em Belo Horizonte, pela pesquisa feita nas últimas quinta e sexta-feiras, foi de R$ 3,607, enquanto que no levantamento anterior, uma semana antes, era de R$ 3,614.
No caso do diesel, a Petrobras reduziu o valor para as refinarias na semana passada em 10,4%. Segundo a empresa, se a redução fosse totalmente repassada ao consumidor final, o preço poderia cair 6,6% nas bombas, o que representaria cerca de R$ 0,20 por litro, em média. Entretanto, na capital o preço ficou praticamente estável, já que a variação foi de 0,03%. O valor médio do diesel S10 foi de R$ 3,123, enquanto que na semana anterior era encontrado por R$ 3,122.
Para o diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Minas (Minaspetro) Braúlio Chaves, é questão de tempo para o consumidor sentir a redução nos preços. “Não é imediato. É que existe um espaço de tempo entre o recuo de preço na refinaria e nos postos. E ainda tem a questão dos estoques que foram comprados por um preço mais alto”, diz. Ele diz que não dá para assegurar, mas que é possível que, num próximo levantamento, haja recuo mais expressivo nos preços.
Mercado. A nova política de preços dos combustíveis da Petrobras prevê que pelo menos uma vez por mês se faça uma avaliação, e o valor de venda para as refinarias pode ser alterado. Segundo o diretor de Refino e Gás da companhia, Jorge Celestino, a estatal poderá fazer mais de um ajuste nos preços da gasolina e do óleo diesel no mesmo mês, de acordo com a volatilidade dos preços internacionais do petróleo. (Com agências)
Etanol fica mais caro nos postos
O preço médio do etanol subiu 0,43% na última semana, em Belo Horizonte e região metropolitana, conforme levantamento do site Mercado Mineiro. Entre os dias 10 e 11 deste mês, o valor foi de R$ 2,793, enquanto que na pesquisa anterior, realizada no dia 3, o valor médio cobrado pelo litro do combustível era de R$ 2,781.
O etanol só é mais rentável que a gasolina se for encontrado abaixo de 70% do valor do litro desta. Comparando valores médios, com a gasolina a R$ 3,607, o etanol compensa a partir de R$ 2,524, mas o consumidor deve fazer a conta onde estiver abastecendo. Se a gasolina custar R$ 3,355, o etanol tem que estar abaixo de R$ 2,348.
O presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, frisa que o etanol está praticamente estável para os produtores há cinco semanas. “A alta no preço não tem relação com o produtor”, diz. Para ele, se não houve recuo para o consumidor, o que pode ter acontecido é a recomposição das margens de lucro nos postos. A safra da cana-de-açúcar está caminhando para o final no Estado. “A maior parte deve ser colhida ainda neste mês”, observa. (JG)















