A Secretaria Municipal de Saúde de Sete Lagoas (SMS) informou nesta terça-feira (20) que o Hospital Municipal Monsenhor Flávio D´Amato foi habilitado pelo MG Transplantes para realizar procedimentos de captação de córneas. A primeira enucleação (retirada de globo ocular) foi realizada pela equipe da instituição no último dia 10 de março.
De acordo com a SMS, desde 2009 o Hospital Municipal, principal equipamento de atendimento a casos de urgência e emergência de Sete Lagoas, já tinha articulada a Comissão Intra – Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), composta por profissionais multidisciplinares como médicos, enfermeiros e psicólogos que atuavam na conscientização de colegas e também de familiares de pacientes sobre a importância da doação de órgãos e tecidos.
“O trabalho da CIHDOTT é de fundamental importância para a conscientização das famílias dos doadores, visto que a lei brasileira, atualmente, exige uma autorização familiar expressa para a coleta dos órgãos. Portanto, nenhum procedimento é realizado sem o consentimento de um familiar de primeiro grau, como filhos, esposa, marido, pais ou irmãos”, explica a enfermeira Beatriz Fonseca, coordenadora da comissão.
A partir de agora, a unidade conta com profissionais próprios capacitados e habilitados pelo MG Transplantes para executar o procedimento de enucleação no HM: “Até pouco tempo atrás, sempre que as famílias autorizavam a doação das córneas, a equipe do MG Transplantes vinha até o HM para realizar a enucleação. Para facilitar essa logística, já que a retirada e o transporte das córneas para o Banco de Olhos em Belo Horizonte precisam ser feitos em no máximo seis horas após o óbito, o procedimento agora é feito por pela equipe do Hospital”, explica Beatriz Fonseca.
A coordenadora do CIHDOTT esclarece ainda que o procedimento exige a retirada de todo o globo ocular e que as córneas são extraídas e preparadas para o transplante posteriormente, por oftalmologistas do próprio Banco de Olhos: “Muitos familiares têm receio de autorizar a doação por uma questão estética. Então é bom esclarecer que após a retirada do globo ocular, uma prótese é colocada no lugar, o que, esteticamente, não interfere na aparência de seu ente querido”, conta a enfermeira.
Alta demanda
Em Minas Gerais, segundo o MG Transplantes, 977 pessoas estavam na fila de espera de um transplante de córneas até o final do ano passado. Diferentemente de outros tecidos e órgãos, o doador de córneas não precisa ter tido morte encefálica, conforme explica a enfermeira Fernanda Duarte, uma das profissionais habilidadas para realizar a enucleação: “Ainda assim, há uma série de exigências e requisitos legais e de caráter médico para que um paciente em óbito se qualifique como doador de córneas. Essa análise é feita pela CIHDOTT antes mesmo de a família ser abordada sobre a autorização, e a retirada, reitero, somente é realizada após o consentimento”.
A expectativa da equipe do Hospital Municipal é para que a captação de córneas aumente com o procedimento feito na cidade e contribua para a redução da fila de pacientes que aguardam por esse tipo de transplante.
Da Redação
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