Desde o ano passado, a possbilidade de o Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG) perder o credenciamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para prestar atendimentos na área de oncologia vem sendo levantada em Sete Lagoas. A entidade passa por auditoria do Ministério da Saúde, pela qual foi constatado que o HNSG deixou de cumprir metas estipuladas pelo órgão para garantir a manutenção do serviço.
A coordenadora da Gestão SUS na unidade, Aline Ituassu, diz que dos 14 pontos de inconformidade, dez já foram solucionados. "O principal problema é que, antes, o hospital não conseguia ofertar todo o tratamento para o paciente oncológico. Hoje, o tratamento é todo integral na unidade. Ampliamos nossas especialidades e, até julho de 2017, esperamos solucionar todos os pontos”, explicou.
Diante da situação, para que o HNSG não corra mais o risco de deixar de atender a pacientes dos 35 municípios que integram a Microrregião de Saúde Sete Lagoas, o Deputado Douglas Melo propôs, em reunião realizada nessa quarta-feira (18), na sede da entidade, que o serviço seja complementar ao prestado pelo Hospital Imaculada da Conceição, de Curvelo. Ele articula uma mobilização com prefeitos para que o problema seja resolvido da melhor maneira possível.
“A nossa proposta é que Sete Lagoas continue credenciada. Teremos uma reunião hoje, às 14h30, com o secretário de Governo Odair Cunha, solicitada por mim, e eu solicitei também uma reunião com o governador Fernando Pimentel e ele vai nos atender na próxima terça-feira. Eu vou levar todos os prefeitos. Nós não somos contra o credenciamento de Curvelo. Nós somos contrários ao descredenciamento de Sete Lagoas. Isso nós não vamos permitir”, explica.
De acordo com o HNSG, atualmente, há 800 pacientes em atendimento contra câncer na unidade. Desse total, 567 são moradores de Sete Lagoas, número que representa quase 70% dos pacientes assistidos. Caso haja a mudança do atendimento para Curvelo, eles teriam que viajar 109 km para receber tratamento.
O parlamentar acredita que é preciso sensibilidade neste caso para que os pacientes não sejam os maiores prejudicados. “São mais de 800 pacientes que podem perder seus tratamentos se tiverem que se deslocar para tão longe", diz.
Transtornos
Na reunião, o diretor geral do Hospital Nossa Senhora das Graças, Cleber Amorim, disse que o descredenciamento do setor de oncologia pode acarretar transtornos em todas as outras áreas da unidade, já que tem 70% de seu financiamento proveniente do SUS: “A oncologia gera toda uma estrutura de gestão clínica, com serviços cirúrgicos, atendimentos e exames especiais. Isso pode gerar um impacto em toda a estrutura assistencial de alta complexidade do hospital”.
O diretor geral afirmou, ainda, que a mudança para a cidade vizinha não se justifica. “Curvelo desenvolveu uma unidade qualificada e competente para receber o tratamento oncológico. O problema é que a cidade não tem o contingente populacional que justifique que todos os serviços sejam concentrados lá”, diz o gestor.
Critério
Pelas regras do Sistema Único de Saúde (SUS), para ser habilitada a ofertar tratamento de oncologia, a unidade precisa abranger uma região que atenda no mínimo 500 mil pessoas. Somente em algumas áreas do Norte do país são permitidas duas unidades para atender menos que 500 mil pacientes.
Sete Lagoas tem uma população quase três vezes maior que a de Curvelo, com 234 mil moradores, contra 79 mil do município vizinho, de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Da Redação
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