Fotos: Divulgação - Cão doente a poucos metros de pessoas que aguardam transporte coletivo
Da Redação
A Associação Protetora dos Animais de Sete Lagoas (Aspa 7) vem alertando a sociedade sobre um problema de saúde pública na cidade, o aumento do número de bichos abandonados. Não é difícil perceber cães e gatos sujos, magros, famintos e doentes revirarem o lixo atrás de comida em muitos bairros, situação que os tornam propensos a transmitir doenças.

Cães perambulam pelas ruas da cidade sem controle
A Aspa 7, de acordo com a Coordenadora Nina Lucas, já há oito meses recolhe os animais que encontram em tal situação e levam para abrigos mantidos por eles, mas há casos, de acordo com Nina, chegam a custar até R$ 2 mil e não há mais condições de abrigar mais animais.
A associação estima que mais de 600 animais estejam em tratamento ou esperando tratamento e adoção nos abrigos da cidade. Além da Aspa 7, também fazem o mesmo trabalho organizações como Anjos da Guarda, Grupo Adotar, Projeto Castrar e protetores independentes.
“Só para exemplificar, existem milhares de cães e gatos abandonados em Sete Lagoas, e cada cadela não castrada e seus descendentes podem gerar cerca de 60mil filhotes em 6 anos de vida, estimativa que aumenta muito em gatos, considerando que estes se reproduzem de 3 em 3 meses”, diz Nina.
O problema se agravou, de acordo com a coordenadora do grupo, quando o Centro de Controle de Zoonoses parou de recolher os animais abandonados na cidade, por força de uma ação judicial (processo 0672.0204061-3) de outubro de 2013. O argumento para a decisão era de que o órgão estava promovendo a “matança” de animais sadios, o que nunca foi comprovado, de acordo a Aspa 7.
Outro agravante na falta de participação do poder público é a ausência de campanhas educativas para desestimular maus tratos e abandono. “Estima-se que, de 10 animais abandonados, oito já tiveram um lar. São animais que, por um motivo ou outro, foram rejeitados, não supriram as expectativas de seus ‘donos’ e, por isso, foram descartados”, explica Nina.
Diante da situação, o grupo se mobiliza com um abaixo assinado online que já reuniu mais de mil assinaturas pedindo a volta do serviço à Prefeitura. Na próxima reunião ordinária da Câmara, nesta terça, 20 de dezembro, ele deverá ser entregue aos vereadores, solicitando apoio à causa e expondo o problema de saúde pública que se configura em Sete Lagoas após o fim do recolhimento dos animais abandonados pela Prefeitura.
Irresponsabilidade
Uma das críticas feitas por várias entidades de proteção aos animais é sobre a conduta de quem assume ser dono de um cão sem realmente estar preparado para as consequências que essa ação gera. Animais não são objetos descartáveis e muito menos produtos. Muita gente deve estar pensando, por exemplo, em presentear algum ente querido com um cachorrinho no Natal. Cuidado! Esta situação requer maturidade e, principalmente, informação.
Muitos donos de cães e gatos acabam abandonando os animais porque não estão preparados para lidar com a educação que eles demandam. Cães, por exemplo, apresentam vários tipos de temperamento, níveis de aprendizagem e obediência diferentes, de acordo com a raça. O dono é quem precisa se adequar a essas características, e não o animal.
“Cresceram demais, adoeceram, não foram educados o suficiente, geraram gastos e aborrecimentos. Essa são algumas justificativas para o abandono, o que acaba sendo, mais do que uma atitude desumana, uma conduta irresponsável para com a sociedade.”, conclui Nina Lucas.















