No próximo dia 1º de janeiro, quando se iniciará um novo ano, também será o começo de uma nova era para o Executivo e o Legislativo de Sete Lagoas. Tomarão posse dos cargos, em cerimônia no auditório do Unifemm, o prefeito eleito Leone Maciel (PMDB), o vice Duílio de Castro (PMN), e 17 vereadores, entre novatos e reeleitos.
Para a formação da Mesa Diretora da Câmara uma polarização já se cristalizou. São candidatos à Presidência da Casa Legislativa os vereadores reeleitos Cláudio Henrique Nacif Rodrigues, o Caramelo (PRB), e Marcelo Pires Rodrigues (PMDB), mais conhecido como Marcelo Cooperseltta.
Em entrevista aos SeteLagoasNotícias.com.br, os dois parlamentares fazem uma avaliação do que foi a atual legislatura e projetam mudanças e mais diálogo como o Executivo, para mudar a dinâmica da relação conturbada que foi traço marcante da gestão do prefeito Márcio Reinaldo Moreira (PP).
Veja o que cada um pensa e como pretende atuar, em caso de ser escolhido para a Presidência da Câmara, na entrevista a seguir:
7LN - Por favor, faça um breve resumo de sua atuação na vida pública.
Caramelo - Comecei minha vida política como membro do Grêmio Estudantil na Escola Estadual João Fernandinho Júnior, o Industrial. Me filiei ao Sindieletro em 1989, o qual faço parte até hoje. Até o ano de 1998, lá atuei ativamente na elaboração das pautas de reivindicações e nas mobilizações para aumentar a participação dos trabalhadores. Fui filiado do Partido dos Trabalhadores (PT) de 1989 até abril 2016, e eleito vereador em 2012 para o quadriênio 2013 a 2016 pelo mesmo partido. Me filiei ao Partido Republicano Brasileiro (PRB) em 2016 e fui reeleito para o cargo de vereador no mesmo ano, para o quadriênio 2017 a 2019.
M. Cooperseltta - Comecei minha vida pública quando me tornei presidente da Cooperativa de Turismo e Transporte Alternativo de Sete Lagoas. Foram 2 mandatos de muito trabalho e diversas realizações para a categoria. Me tornar vereador foi em consequência disto. Precisava-mos de alguém para defender o nosso trabalho e legalizar a prestação do serviço. Dentre vários colegas que possuíam competência para representar a categoria, meu nome foi escolhido. Graças a Deus e com o grande apoio dos cooperados saímos vitoriosos em nosso primeiro pleito eleitoral e continuamos, pelo 3º mandato consecutivo, a representar o transporte como um todo do município de Sete Lagoas.
7LN - Como surgiu a pretensão de disputar a presidência da Câmara e porque o senhor entende que seu nome seria a melhor opção?
Caramelo - Nas últimas disputas à presidência, tive a oportunidade de lançar minha candidatura, mas optei em não fazê-lo, por ter apalavrado meu apoio para os vereadores Márcio Paulino e Fabrício Nascimento. Fui procurado desta vez por alguns vereadores que acreditam em meu estilo de condução. Por toda a experiência adquirida em meu primeiro mandado, admito que estou ainda mais preparado para o pleito. Desta forma, decidi aceitar o desafio.
M. Cooperseltta - Após as eleições, montamos um grupo forte, de 9 vereadores, para trabalhar-mos em conjunto, em prol de uma administração pública eficaz, tanto no que diz respeito as nossas atribuições com o poder executivo quanto no próprio legislativo. Na verdade, todos os vereadores do grupo possuem condições de disputar e vencer estas eleições. Meu nome é um que foi colocado a disposição. Não tomamos decisões isoladas. Tudo é discutido e decidido de forma consensual. Eu não entendo que meu nome é a melhor opção. A melhor opção será aquela que o grupo indicar.
7LN - O que pode levar seus pares a votarem no senhor para ocupar a presidência da Câmara?
Caramelo - Como disse, eles acreditam em meu estilo de condução. Procuro sempre agir em todas as situações com clareza, ponderação e imparcialidade, tendo em vista o desenvolvimento de Sete Lagoas.
M. Cooperseltta - Nosso grupo é aberto ao diálogo. Buscamos resolver tudo de forma consensual e ouvindo todas as opiniões. O presidente da câmara não é presidente de um grupo. Ele representa todos os vereadores. A nossa forma de ver a administração nos deixa confiantes no sucesso das propostas e isso pode atrair o apoio dos colegas indecisos.
7LN - Já existe algum compromisso firmado em termos de apoio à sua candidatura e quantos vereadores já aderiram ao seu projeto?
Caramelo - Alguns vereadores já firmaram compromisso comigo. Até o dia da votação, muita coisa pode mudar.
M. Cooperseltta - Como disse, temos um grupo forte, de 9 vereadores, completamente aptos a disputar a eleição. Internamente não há dúvidas de que o apoio às propostas apresentadas é incondicional. Buscamos levar nossas propostas aos demais colegas e o resultado disso esperamos que seja sentido no dia da votação.
7LN - Você considera que a última legislatura cumpriu seu papel ou vê falhas nos trabalhos de modo geral? O que precisa mudar?
Caramelo - De uma maneira geral, considero que o mandato foi bastante positivo, tanto que fui reeleito. Pude desenvolver projetos de relevância, como o Boa Fala, Guardiões da Natureza, Circuito de Lazer e Saúde, Geladeira da Alma e Carnaval Encantado, entre outros. Vários Anteprojetos de Lei voltaram como Lei para a Câmara, como a Bienal do Livro e a Remoção de veículos abandonados em vias públicas. Também consegui extinguir o voto secreto na Câmara. Agora os eleitores podem saber com transparência como seus representantes pensam e têm votado.
Um grande desafio foi conseguir durante esses quatro anos manter a minha posição na Casa, pensando sempre e somente em Sete Lagoas, independente, de forma imparcial, sem depender da questão “oposição/situação”, partido, etc.
Outro desafio foi sempre ter um bom trânsito com meus colegas vereadores. E isso foi possível, graças a minha conduta sempre transparente e ponderada.
M. Cooperseltta - Esta legislatura foi muito difícil. Não houve diálogo com a prefeitura e o desrespeito com a Câmara Municipal ficou muito evidente. Tive vários embates políticos, fui perseguido pela atual administração e muitas vezes caluniado. Mas creio que cumpri meu papel. Fiscalizei de perto os atos do poder executivo, legislei e empreendi esforços para defender os direitos dos setelagoanos nos mais diversos seguimentos. O que precisava mudar já foi mudado. Temos um prefeito eleito que conhece bem a máquina administrativa e legislativa, e vereadores com sede de fazer diferente.
7LN - O setelagoano está muito descrente com os políticos, as denúncias de corrupção são diárias e os escândalos envolvendo o Legislativo são com frequência veiculados pela mídia. Como está a imagem da Câmara de Sete Lagoas perante a população em sua opinião? Como o Sr. pretende lidar com os aspectos negativos caso seja eleito presidente da Câmara?
Caramelo - Acredito que a imagem da Câmara possa ter ficado um pouco enxovalhada com as denúncias de corrupção, mas o importante é que estamos no caminho certo, levando adiante as investigações junto ao Ministério Público de Belo Horizonte. Em breve tudo será esclarecido como deve ser.
M. Cooperseltta - A classe política em si está desgastada. A crise política é evidente. Temos que tomar o cuidado para não generalizar. Especialmente aqui em Sete Lagoas. Muitas vezes são divulgadas informações distorcidas, inverídicas ou mesmo mentirosas. Só para criar uma ideia no senso comum de que todos que aqui estão participam ou participaram de algum esquema fraudulento. Somos sempre colocados na onda de Brasília, mas não é neste mar que estamos. Driblar esta visão negativa não é tão simples. Depende de muitos fatores. Mas começa por nós. Se eleitos, faremos uma gestão transparente e comprometida com a coisa e pública. Todos verão. Agradar é muito difícil, mas é dormir com tranquilidade é o que nós queremos.
7LN - O trabalho de profissionalização da Câmara realizado pela atual gestão foi muito elogiado. O Sr. acha que dá para melhorar o que tem sido feito? Como?
Caramelo - Sempre tem o que melhorar. Precisamos sempre investir na capacitação dos profissionais que trabalham na Câmara, assim como nos sistemas de tecnologias e planejamentos, principalmente os financeiros, para que não haja gastos desnecessários.
M. Cooperseltta - Em time que está ganhando pouco se mexe. O trabalho realizado pela atual gestão é ímpar. Claro que algumas coisas precisam ser aperfeiçoadas. Por isso que o nosso projeto tende a ser eficaz. Pretendemos conhecer, entender e analisar todas as ações profundamente. Depois deliberar sobre tudo: o que deve ser mantido e o que deve ser melhorado.
7LN - A população vem se mostrando preocupada com a questão do orçamento deficitário do município e a série de problemas que Sete Lagoas enfrenta. Como o próprio prefeito citou, o orçamento está “estrangulado”, os problemas não param de aparecer e a situação da saúde é considerada por muitos caótica. Como o senhor acha que a Câmara pode ajudar o prefeito na solução dos problemas da cidade? Pretende enxugar os gastos?
Caramelo - É necessário fazer um planejamento muito bem feito, dentro da realidade econômica do país. Além disso, é imprescindível seguir à risca esse planejamento, com muita seriedade e compromisso, para evitar gastos desnecessários. Também é importante manter o diálogo permanente com os vereadores para demonstrar a realidade financeira, a fim de evitar surpresas. A qualificação da equipe nestes departamentos é imprescindível para que o planejamento seja mantido sem erros. Esta qualificação técnica evita desperdício de dinheiro e mau investimento.
M. Cooperseltta - Muito do orçamento do município passa pelo legislativo. Os empréstimos, os remanejamentos de recursos, a compra e venda de bens do patrimônio público são todos discutidos na Câmara. Podemos enviar ideias ao prefeito em forma de anteprojeto e emendar projetos de competência privativa do executivo. Formas de ajudar não vão faltar. De fato os problemas são muitos, a questão da saúde é extremamente preocupante e a tendência é que a arrecadação do município diminua. O gestor, seja ele quem for, tem que se preocupar em enxugar os gastos. Não dá para gastar mais do que se arrecada.
7LN - O atual prefeito foi muito criticado pelo seu relacionamento com a Câmara. O que acha que faltou para que a situação fosse diferente?
Caramelo - Acredito que tenha faltado diálogo.
M. Cooperseltta - Posso resumir tudo em uma única palavra: diálogo. A falta de dialogo abre espaço para atitudes autoritárias e arbitrárias. Foi o que aconteceu nesta gestão. Os poderes são independentes, mas se não houver harmonia toda administração perde.
7LN - Qual o papel do presidente da Câmara nesse processo?
Caramelo - Temos que esquecer legendas, esquecer vaidades, esquecer “situação/oposição”. Somos representantes do povo, trabalhamos para uma Sete Lagoas melhor. Um bom diálogo entre Legislativo e Executivo pode resultar em uma grande parceria que tende a gerar bons frutos para a nossa querida cidade.
M. Cooperseltta - O atual momento político/econômico do país vai exigir do presidente da Câmara, daqui de Sete Lagoas ou qualquer outro município do Brasil muita sensibilidade. Devem ser postas de lado questões partidárias, conflitos pessoais, jogo de interesses e etc... O gestor do legislativo é peça fundamental no processo de reestruturação das finanças do município, juntamente com o Estado e o Governo Federal. Sem qualquer destas peças as engrenagens não se ajustam.















